Tribuna do Leitor

Você também pode morrer na avenida. Veja como:


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A próxima pessoa a morrer na avenida Rodrigues Alves, vítima de atropelamento, pode ser você. Sim, você que está lendo isto. Pobre ou rico, tenha carro ou não tenha. E mostro como você pode morrer numa daquelas esquinas. Vejamos. No momento de atravessar você olha e só vê, longe, um ônibus vindo. Ok. Daqui não vem carro, na outra pista o ônibus... “Só um ônibus, lá longe...” E você vai... Em direção a outro mundo. Um segundo, dois, e a morte consumada. Nem teve tempo de saber que na frente do ônibus vinha um carro, que os arbustos encobriram. O morto havia visto só o ônibus, que é bem alto, suplanta a altura das plantas aterradoras. Quanto aos carros, os arbustos cumpriram bem sua função: funcionaram como uma armadilha aos pedestres. Uma armadilha. O esnobe abastado com o seu carrão estacionado... Será que ele nunca atravessa a avenida a pé?

Eis para que serve o canteiro central: para ajudar a gente a morrer. Um dia, um segundo apenas, e vem o prêmio, como numa loteria. Desatenção da pessoa, como disse o secretário do Meio Ambiente da Prefeitura? Não, não, não. Em primeiro lugar essa aberração de canteiro central cobriu a visão dos carros, ou do carro - basta um -, que vinha à frente do ônibus. Pergunto: o cidadão merece que tenhamos no meio de uma avenida movimentada um anteparo aos carros que trafegam por ela? Somos obrigados a aceitar que nos imponham uma parede verde que só confunde, que só atrapalha a nossa visão num momento tão crucial que é atravessar uma artéria movimentada? Temos o direito de ter uma visão mais abrangente daquilo que nos ameaça a vida. E a Rodrigues é um perigo. Dar sopa para o azar? Paisagismo. Ora, ora. Estão pensando em beleza ou em vidas humanas? “Vamos aumentar o recuo.” Que visão mais tacanha! Em benefício do cidadão, acabem com esses arbustos do canteiro central, urgentemente. O secretário falou em poda. É brincadeira! É eliminar. Porque é certo que mais gente vai morrer por causa dessas inocentes plantinhas. E os familiares dos mortos não poderiam entrar com processo contra a Prefeitura pedindo indenizações milionárias? Arranquem essas plantas, com raiz e tudo, elas não podem brotar.

Da mesma forma que o spray em campos de futebol foi uma solução simples e genial para disciplinar os jogadores, a retirada dos arbustos do canteiro central da avenida é uma solução simples para salvar vidas. Tenho absoluta convicção disso. Nós que somos relativamente ágeis corremos risco, imagine as pessoas que talvez tenham uma certa deficiência visual, uma certa idade, um certo peso, uma certa pressa... Não sejamos hipócritas. Ninguém é 100 por cento correto a ponto de deixar de atravessar uma avenida, principalmente quando não vem carro nenhum, apenas um ônibus lá longe... Mas eis a armadilha. Vinha um carro na frente do ônibus, e que os arbustos encobriram. Ou nem vinha ônibus nenhum. Apenas um carro camuflado. Tarde demais.(Julio Diogo - autor do livro Emagreça com saúde sem fazer dieta insana)

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