Política

Paquito defende-se e espera decisão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador Osvaldo Paquito (PPS) protocolou ontem na Consultoria Jurídica da Câmara Municipal sua defesa prévia por escrito, na qual pede o arquivamento do processo de cassação formalizado pela Mesa Diretora da Casa.

Os membros da Comissão Processante (CP) que apura denúncias de irregularidades contra o parlamentar têm até terça-feira para decidir se acata o pedido de arquivamento ou mantém a investigação, iniciando a fase de produção de provas.

O presidente da CP, vereador José Eduardo Ávila (PPB), informou que definirá hoje a data em que será conhecida a decisão. O relator do processo, Milton Dota Jr. (PTB), estava em São Paulo, ontem. Luiz Carlos Valle (PSB), membro, recupera-se de uma cirurgia.

Paquito é acusado de ter depositado na sua conta bancária, em janeiro de 2001, cheque emitido pela Câmara Municipal, no valor de R$ 1.682,58, nominal a empresa Volare Comércio e Obras, de propriedade de sua cunhada e de um sobrinho.

O fato veio à tona logo após o vereador ter renunciado à relatoria da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras. O parlamentar assume que fez a operação bancária, mas com a intenção de ajudar o pintor de paredes Paulo Antonio Velasco.

Expectativa

O advogado de Paquito, Valdomir Mandaliti, está confiante de que a defesa prévia por escrito protocolada ontem esclarece o fato com profundidade. Ele está confiante de que a CP vai acatar o pedido de arquivamento do processo.

“A expectativa é a melhor possível. Demonstramos que nosso cliente não agiu com toda essa fúria que querem jogar nas costas dele. O que ele fez apenas foi depositar um cheque na conta dele, sacado imediatamente”, explica.

A defesa do vereador mostra que a retirada de cheques nominais emitidos pelo Poder Legislativo por terceiros para pagamento de fornecedores era uma prática rotineira na Casa.

“O Paquito fez isso numa condição especialíssima. A própria CEI reconhece que a operação foi feita para ajudar o pintor. Prova é que ele não tinha relação nenhuma com Velasco, que o segundo cheque foi depositado na própria conta dele (pintor), após ser informado de que tinha uma aberta no banco”, expõe.

Mandaliti destaca que seu cliente foi ético ao renunciar a relatoria da CEI das compras. “Como relator da comissão, ele poderia manobrar a situação. Mas preferiu deixar que o julgamento do ato dele fosse feito sem qualquer influência.”

O advogado avalia que o parlamentar demonstrou uma “atitude de lisura” ao apresentar a documentação para provar que não cometeu ato ilícito.

“O que é lamentável é que o relator da CEI (vereador José Humberto Santana) não moveu uma palha para comprovar que os documentos são verídicos. Não quis ouvir o vereador, não quis ouvir o pessoal da Volare, não quis ouvir o pintor. Em suma: não tomou uma providência”, critica.

Questionado sobre se tem receio da Câmara optar por uma decisão política no desfecho da Processante, Mandaliti afirma que o “mundo jurídico” tem ressalvas a fazer em atitudes tomadas pelo Legislativo.

“Os comentadores da Constituição afirmam que julgamento político pode levar a injustiças. São dois julgamentos que não correm no mesmo terreno. Eu entendo a posição da Câmara, entendo o que é julgamento político, mas antes do julgamento político está o dever de consciência daquele que vai julgar”, finaliza.

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