Estamos em plena guerra. Bombas, mísseis, granadas, minas... Pessoas sendo massacradas pelo medo e pela dor. Cidades arruinadas, devastadas pela insensibilidade e o anseio de poder. Assistimos aflitos às imagens que, curiosamente, são transmitidas ao vivo, dando colorido e impacto ao drama alheio e, embora muitos não admitam, também nosso. Milhares de pessoas perdendo o sono, centenas de pessoas perdendo a vida, pois ainda que sobrevivam já não terão mais condições de viver em paz. Aqueles ruídos, o som dos gritos e o pavor ocuparão para sempre suas mentes e corações. E nós, por aqui, presenciando perplexos esses acontecimentos, lançando indagações acerca do que pode levar alguém a querer ser o dono do mundo.
Talvez, algumas perguntas jamais encontrem resposta, principalmente levando-se em conta que insanos não seguem qualquer lógica. Devemos aproveitar o momento para avaliar de que lado estamos e poder ter uma idéia mais clara acerca de nós mesmos. Muitos dizem que são contra a guerra mas minam o ambiente doméstico com explosivos superpotentes, capazes de destruir a auto-estima de seus entes “queridosâ€. Outros, proclamam a necessidade de paz e, no trabalho, perseguem os colegas que se encontram em posição subalterna. Quantos referem-se ao horror de uma atitude soberba e arrogante, entretanto, vivem buscando apenas os próprios interesses em detrimento dos da grande maioria.
É; a guerra não ocorre por acaso. A belicosidade e a beligerância estão dentro de muitos corações que não conhecem o amor nem o perdão. Cercam-se de razões que justifiquem os seus atos intempestivos e golpeiam as demais pessoas com as suas imposições. A guerra pode ocorrer em qualquer lugar e em qualquer coração. É a vigilância que a torna menos provável, na medida em que sinaliza quando ocorrem turbulências. A pessoa sensata analisa seus humores de tal forma, que busca neutralizá-los toda vez que ameaçam entrar em ebulição. A pessoa insensata alimenta seus dissabores para que ganhem contornos de ira e atinjam todo aquele que se aproximar desatento.
Precisamos verificar de que lado estamos. Precisamos avaliar o que pode saciar a nossa sede. Você tem sede de quê? Sangue, suor e lágrimas? Ou anseia pela água viva que fará com que nunca mais tenha sede? (Jo. 4, 14) O mundo está repleto de apelos egoísticos. Faz-se necessário cuidar para que não nos deixemos iludir. Este é o tempo da guerra, e também da reflexão. Façamos com que, brevemente, sobrevenha o tempo da paz (Ecle. 3, 8 e 11). (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga. E-mail: mrghtin@ig.com.br)