Polícia

Corpo é achado dentro de rede de esgoto

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O corpo do catador de papel Waldecir Bueno foi encontrado ontem pela manhã num poço de visita da rede de esgoto localizado na baixada da favela do Jardim Maria Célia. Ele foi jogado no local na noite de quarta-feira, após uma briga que envolveu outros dois homens e um menor já identificados pela polícia. O adolescente foi encaminhado à Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) e os adultos à Cadeia Pública de Bauru.

Depois de ser informada sobre a existência do corpo, a polícia passou a investigar os acusados que, segundo o relato de populares, teriam se desentendido com a vítima enquanto bebiam no barraco dela.

De acordo com o delegado titular do 2º Distrito Policial, Antonio Carlos Piccino Filho, os dois homens presos e o menor apreendido foram localizados ainda na manhã de ontem, na passarela entre o Jardim TV e o Núcleo Gasparini.

Eles tentaram fugir, foram presos e encaminhados à delegacia, onde prestaram os primeiros depoimentos, que coincidiram. Na seqüência, confessaram o homicídio. Sidnei Pedro dos Santos, Josiel de Campos e o menor contaram que a briga foi resultado de um tapa que Bueno desferiu em Sidnei. Após uma luta corporal, Sidnei revidou pisando no pescoço do colega até que ele desmaiasse.

Posteriormente, os três teriam arrastado a vítima por uns 300 metros até o poço de visita da rede de esgoto, que tem cerca de um metro de diâmetro e três metros de profundidade.

“O adolescente disse que Bueno estava vivo enquanto era arrastado. Só em dez dias, quando sairá o laudo do Instituto Médico Legal (IML), teremos como saber se ele morreu antes ou depois de ser jogado no poço”, explica o delegado.

Corda

Existe a possibilidade da morte ser decorrente também de enforcamento, pois Josiel disse ao delegado que Bueno teria sido arrastado até o local onde o corpo foi localizado através de uma corda presa no pescoço.

“Sidnei, que confessou sua participação no crime, nega a existência da corda. Chamou a atenção a frieza dele, que não se arrependeu de nada. Como estavam alcoolizados, talvez não saibam a história direito. Nem lembram o motivo da discussão”, conta Piccino.

Para o delegado, os três acusados agiram em unidade e de propósito. Ele não considerou convincente o argumento de que Josiel e o menor teriam apenas presenciado o assassinato.

“Trata-se de um homicídio qualificado por meio de uso cruel. Nesses casos, a pena de reclusão varia de 12 a 30 anos. Depois que os dados do IML chegarem, o inquérito policial será encerrado e remetido ao Fórum”, esclarece.

Com a morte de Bueno, o total de homicídios registrados na cidade nesse ano chega a 12, sendo que seis já foram esclarecidos e um é referente a uma ocorrência envolvendo um acidente de trânsito. No mesmo período do ano passado, a polícia havia registrado dez assassinatos e esclarecido oito.

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