A Organização Ambiental Teyquê-Pê assumiu a resistência oficial à construção da usina Piraju 2. Desde que a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) tornou pública sua intenção de ampliar a geração de energia no município, os ambientalistas não mais sossegaram.
Além de pressionar os políticos a tomarem providências legais, a ONG buscou aliados na região e promoveu manifestos na cidade. O último foi em fevereiro e reuniu mais de 7 mil pessoas, que deram um “abraço†no rio Paranapanema. Um vídeo especialmente produzido pelos defensores do “Panema†foi exibido em praça pública e agora percorre as salas de aula da cidade.
A próxima cartada da Teyquê-Pê está prevista para o domingo de Páscoa, no recinto da feira de exposições da cidade, a Fecapi. “Teremos festival de música, lançamento de CD com canções relativas ao Paranapanema, gincanas e soltura de 5 mil alevinos de espécies nativasâ€, anuncia João Kleber de Oliveira Dealis, presidente da organização.
Paralelamente aos protestos organizados, a comunidade também se mobiliza como pode. Num giro pela cidade é possível encontrar vários muros pintados com slogan do movimento em favor do Paranapanema. Um pintor simpático à causa enxergou a possibilidade de lucro e vem cobrando R$ 30,00 para estampar os dizeres.
As ações de repúdio à hidrelétrica contam com o apoio incondicional de várias entidades ambientais. Já se posicionaram em favor da causa a Adevida e o Movimento Paranapanema Vivo (também de Piraju), Associação Ambientalista de Defesa da Bacia do Paranapanema (Bernardino de Campos), A Preservita (Fartura), Instituto Vidágua (Bauru), além de outras cerca de 20 ONGs paulistas. O Partido dos Trabalhadores, a Maçonaria de Piraju e várias associações de bairros também aderiram à luta.
O histórico da comunidade pirajuense em questões ambientais merece crédito. Na década de 70, grupos se mobilizaram contra uma indústria de papel e celulose que queria se instalar às margens do rio. O progresso viria às custas do lançamento diário de poluentes nas águas e não vingou.
Mais recentemente, quando a CBA então apresentava o projeto de construção da usina Piraju, a resistência voltou às ruas. A proposta inicial da empresa era reduzir a vazão do Paranapanema e desviar seu curso natural por tubulações até as unidades geradoras (turbinas). A mobilização popular fez com que a companhia revisse o projeto original, reduzindo os impactos ao meio ambiente.