Tribuna do Leitor

APENAS MAIS UM


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Os jornais noticiaram recentementeque em duas semanas nove policiais militares foram mortos no Rio de Janeiro. Foi apenas uma nota, como se fosse um acontecimento no Golfo de Bengala ou em Ulan Bator. Não parecia ser acontecimento, aqui entre nós, na segunda cidade do país e com grandes possibilidades de se repetir em Belo Horizonte ou em São Paulo. Não parecia que nove seres humanos, cumpridores de seu dever, haviam perecido ante gente da pior espécie. Não parecia que nove famílias ficaram mutiladas irremediavelmente.De fato, houve a notícia. Mas só. Agora, porém, os assassinos, do mesmo quilate dos que mataram os PM, emboscaram um juiz. Tal como aconteceu com o jornalista Tim Lopes, todos os meios de comunicação se voltam para o problema. O juiz tinha família. Os PM também. O juiz fará muita falta aos seus. Os PM farão muito mais ainda. Mas o trauma nacional é quando morre um magistrado ou um jornalista. Policiais, ou não são humanos, ou merecem, realmente morrer. Afinal, não vivem fazendo barreiras e revistando “cidadãos pacatos”? Não vivem multando nas ruas e estradas?

Pois que morram. Se a morte deles se refletirá na morte de outros jornalistas e magistrados, isso é outra coisa.Quando acontecer, choraremos. Mas policiais? para que desperdiçar lágrimas com essa gente? O que poucos percebem é que, num mundo hipócrita, como o que estamos, falsos juristas, com argumentos bicudos, defendem direitos dos que não os tem, apenas para verem seus nomes em evidência; num mundo, como o que estamos, pessoas aparentemente esclarecidas, mas que não passam de ignorantes, enveredam por caminhos tortuosos na defesa de facínoras, unicamente para ressaltar ideologias utópicas; num mundo, como o que estamos, os valores são esquecidos e as vidas humanas dos policiais parecem não ter o mesmo valor da vida do magistrado. A publicidade diferente para a perda de vida do juiz e dos PM parece atestar tal coisa. Ledo engano.

Num mundo hipócrita, em que malfeitores adquirem mais direitos que policiais e até que juízes, todas as vidas perdem o sentido, todos os homens passam a ser meras “coisas”. Num mundo em que a miopia dos meios de divulgação dá mais destaque à contusão de um esportista do que à morte de um PM, todos perdem seu valor. No final das contas, a conclusão triste, mas verdadeira, é que nesse mundo, NINGUÉM VALE MAIS NADA. (Luiz Gonzaga de Oliveira - CEL RES PM - presidente da Associação dos Oficiais da PM)

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