Saúde

Saúde defende supervisão do tratamento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O maior desafio da saúde pública no combate à tuberculose é garantir que o paciente siga o tratamento até o fim. Boa parte deles abandona os remédios antes do tempo, o que torna o bacilo cada vez mais resistente às drogas. Para minimizar este problema, o governo implantou o “tratamento supervisionado” e é nele que a saúde aposta para atingir a meta de 85% de cura para a doença.

De acordo com a enfermeira Heloísa Ferrari Lombardi, o tratamento para a tuberculose tem que ser seguido por pelo menos seis meses ou até que todos os exames mostrem que o bacilo foi eliminado. O problema é que, por diversas razões, muitos pacientes abandonam os remédios antes da cura e a doença volta mais forte.

Uma das causas do abandono dos medicamentos é o desaparecimento dos sintomas. “Existe uma melhora bastante sensível logo no início do tratamento. A pessoa recupera o peso, a disposição e tem uma sensação de bem-estar muito forte. Com isso, muitos pensam que já estão curados e abandonam o tratamento ou passam a tomar os remédios de maneira irregular”, comenta Lombardi.

Outras vezes, a desistência ocorre em função dos efeitos colaterais. É o caso dos pacientes alcoolistas, que misturam bebidas alcoólicas com remédios. “Ou o paciente carente, que não tem nem leite para se alimentar. Ele vai se sentir mal com os medicamentos e acaba desistindo do tratamento”, completa.

Para combater o alto índice de abandono, a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs a estratégia do “tratamento supervisionado”, que fundamenta-se na ingestão dos medicamentos mediante a presença de um funcionário da unidade de saúde.

Lombardi explica que, em Bauru, ao confirmar o diagnóstico da tuberculose, o paciente é cadastrado e recebe instruções de voltar à unidade uma vez por semana. Entre um retorno e outro, ele também receberá um agente de saúde em visita domiciliar.

“Desta forma, o funcionário vê o paciente engolir o remédio, pede para ver a cartela e conta (os comprimidos) para checar se ele está seguindo o tratamento direito. Enfim, a unidade vai controlar o paciente mais de perto, vai fazer uma vigília constante”, esclarece.

Como forma de incentivo, os pacientes cadastrados no tratamento supervisionado recebem uma assistência, que inclui os passes de ida e volta no dia do retorno à unidade de tratamento e uma cesta básica, já que a boa alimentação minimiza os efeitos ruins dos medicamentos.

De acordo com Shenia Liane Pimenta, enfermeira da Vigilância Epidemiológica da Direção Regional de Saúde (DIR-10), foi em 1997 que a OMS recomendou a utilização da supervisão para aqueles países com maior incidência, incluindo o Brasil.

O Estado de São Paulo implantou o programa em alguns serviços naquele ano e vem ampliando esta cobertura desde então.

Segundo a OMS, o tratamento supervisionado aumentou a cura de 43% para 80% na Tanzânia, de 30% para 91% na China, de 50% para 91% no Peru. “Quando Bauru implantou o tratamento supervisionado, o índice de cura subiu de 50% para 70%”, observa Pimenta.

Segundo as enfermeiras, a supervisão é indicada para todos os pacientes com tuberculose, mas a saúde pública dá atenção especial aos alcoolistas, drogaditos, moradores de rua, co-infectados com HIV, pacientes que já abandonaram tratamento anterior e detentos.

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