A campanha de combate à tuberculose deste ano elegeu como alvos especiais as instituições que mantêm grande aglomerado de pessoas abrigadas, como presídios, asilos e albergues. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, mundialmente existe uma preocupação crescente com a situação da tuberculose na população encarcerada justificada pelos elevados coeficientes de incidência.
Estimativas indicam que há cerca de 10 milhões de presos no mundo, com uma incidência de 600 doentes para cada 100 mil habitantes. O estado de São Paulo é o que concentra maior contingente de presos no Brasil, com cerca de 109 mil detentos.
Um estudo realizado na Casa de Detenção de São Paulo entre 1993 e 1994 mostrou a incidência de quase 3 mil casos de tuberculose para cada 100 mil presos por ano. Isso representa 50 vezes mais que a incidência total do Estado.
De acordo com as enfermeiras Shenia Liane Pimenta e Heloísa Ferrari Lombardi, presídios, asilos e albergues facilitam a proliferação de doenças como a tuberculose porque mantêm grande quantidade de pessoas aglomeradas em ambientes com condições bastante precárias de higiene.
O Estado registra, atualmente, 83 unidades prisionais. Algumas delas já realizam o controle e tratamento da tuberculose, mas não são todas. A estratégia preconizada pelo governo para estes estabelecimentos é implantar um “Projeto de busca ativa de sintomáticos respiratórios†em todas as unidades.
O projeto prevê que todos os profissionais de saúde atuantes nestas instituições sejam treinados e capacitados para observar e reconhecer possíveis sintomas da doença nas pessoas abrigadas. A partir deste treinamento, eles serão sensibilizados para a gravidade do problema, de modo que passem a observar mais atentamente o comportamento e situação de saúde de seus abrigados/detentos.
Havendo suspeita da doença, esses pacientes seriam imediatamente encaminhados para um diagnóstico mais preciso e, havendo confirmação da doença, para o tratamento supervisionado.