Bairros

Carências barram crescimento da cidade

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 7 min

O crescimento de duas regiões da cidade com notável potencial de desenvolvimento está sendo prejudicado por um problema já conhecido pelo bauruense: a falta de infra-estrutura básica.

Novos prédios, casas e estabelecimentos comerciais indicam que a Vila Aviação, na zona Sul da cidade, e os bairros localizados ao longo da rua Bernardino de Campos, que liga o centro à região Oeste de Bauru, são áreas prósperas.

A falta de equipamentos públicos, contudo, dificultam ao cidadão mais desatento tal avaliação. Atualmente, quem passa pela Vila Aviação não vê mais que poucas casas e alguns edifícios residenciais em ruas de terra com buracos, matos com terreno alto e iluminação precária.

O bairro, entretanto, tem localização privilegiada - fica às margens da avenida Getúlio Vargas e próximo ao aeroporto e a centros comerciais. Além disso, é uma das vias de acesso à cidade, através da rodovia Marechal Rondon.

“O crescimento dessa região é sem dúvida um dos maiores que estamos tendo na cidade. Obviamente, os comerciantes estão vindo atrás do dinheiro, que está nessa região. Ela está crescendo bastante. Nos últimos cinco anos, aumentou o número de estabelecimentos comerciais”, afirma o comerciante Joaquim Oliveira, proprietário de uma bicicletaria do bairro.

Na opinião de Oliveira, a Vila Aviação é uma das regiões mais nobres da cidade. “A tendência dessa região é crescer. Aqui, estamos perto do futuro empreendimento Savoy, do Wal Mart e do shopping center. Se nós tivermos um pouquinho de infra-estrutura, vamos ter uma entrada de cidade muito mais bonita”, avalia o comerciante.

Além de “embelezar” o bairro, Oliveira acredita que se a Prefeitura de Bauru fizesse investimentos, muitos estabelecimentos comerciais seriam abertos no local.

“Vai dar um movimento maior e vai nos favorecer bastante. O problema é a morosidade. Quando vai ser? Nós não temos informações. A prefeitura nos priva de planos diretores”, reclama.

O morador Carlos Augusto Terra, taxista, conta que apostou na valorização de seu imóvel, na Vila Aviação. Ele mora há um ano e meio no local.

“Aquela região é uma das melhores de Bauru para se investir. Houve um aumento considerável da movimentação ali. Mas vai melhorar cada vez mais quando houver o asfalto comunitário. É um dos locais mais promissores de Bauru”, diz Terra.

O taxista também acredita que o empreendimento Savoy, que deve ser construído ao lado do shopping center, contribuirá para o desenvolvimento da Vila Aviação.

O morador Luiz Aurélio Ferrarini, um dos pioneiros na Vila Aviação, acha que o principal obstáculo ao crescimento do bairro é a falta de pavimentação.

“O que está faltando é asfaltar. As pessoas estão querendo construir, mas estão querendo asfaltar primeiro. Estão esperando benfeitorias para fazer o negócio”, expõe.

Ferrarini diz que começou a construir sua casa em 1990 e, desde então, aguarda as benfeitorias. “Desde aquela época, falavam desses planos”, conta.

Apesar de todos os problemas, ele destaca que o bairro vem crescendo. “No começo, só tinha a minha casa. Agora tem outras casas e imóveis, prédios, terrenos cercados. A tendência é de logo estar tudo habitado”, calcula o morador.

Comércio

Enquanto os proprietários de imóveis aguardam valorização e melhores condições de acesso aos bairros em que moram, os comerciantes esperam que o crescimento leve mais pessoas a seus estabelecimentos.

É o caso de Josi Cristina, auxiliar administrativa de um posto de combustível localizado na avenida Getúlio Vargas, na altura da Vila Aviação.

“Tudo indica que essa região deve crescer. Tem muitos condomínios sendo feitos aqui na região”, diz.

Para Camila Brandi, gerente de uma loja de acessórios para veículos no bairro, a obra mais importante é a duplicação da avenida Getúlio Vargas. “Se duplicasse, sem dúvida melhoraria nosso movimento. Aqui já é bom. Duplicando, seria melhor ainda”, acredita.

Rodrigo Carvalho Ribeiro notou que a quantidade de clientes que procuram seu estabelecimento no lava-rápido tem aumentado.

“Quisemos vir para a Getúlio pelo fluxo de carros e de gente que passa por aqui. Tem muitos condomínios e é saída da cidade. Estou apostando nessa duplicação da avenida. Agora mais lojas estão vindo para cá e deve melhorar bem o movimento”, diz.

Ele também espera ação rápida da prefeitura porque a cada chuva a entrada de sua loja fica prejudicada pelos buracos.

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Bernardino também promete

Quem passa com freqüência pela rua Bernardino de Campos certamente não deixou de perceber a grande quantidade de estabelecimentos comerciais inaugurados nos últimos meses.

A via foi asfaltada recentemente e está próxima a condomínios residenciais em obras. A grande quantidade de terrenos vazios também indica o potencial de crescimento dos bairros localizados às margens da Bernardino de Campos.

A papelaria de Elizabete de Gonzales Colla funciona há três meses na rua Carlos de Campos, a uma quadra da via principal. Ela escolheu a região para abrir um estabelecimento comercial por acreditar na sua expansão.

“Na época, não tinha nada aqui que oferecesse xerox e artigos de papelaria para os moradores. Quinze dias antes de abrir, abriram outras duas papelarias aqui. O bairro era carente e está crescendo. A gente pretende investir muito aqui”, afirma.

Elisabete pretende abrir mais três lojas nas proximidades e incrementar a atual com serviço de chaveiro. “Estamos apostando na região e pensando no futuro”, salienta.

Segundo José Carlos Arão, proprietário de um açougue, suas vendas duplicaram após a pavimentação da Bernardino de Campos. “Esperamos que melhore ainda mais. A quantidade de lojinhas tem aumentado bastante”, relata.

Na opinião de Carlos Roberto Berro, que há oito meses tem um mercado na rua Bernardino de Campos, o movimento está ficando cada vez melhor. “Depois que asfaltaram a rua melhorou bastante. Aumenta o movimento porque passam mais pessoas na rua e mais veículos. A gente percebe que o bairro está progredindo”, enfatiza.

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Imóveis serão valorizados

Com a execução das mudanças previstas para os bairros em crescimento de Bauru, os imóveis localizados nessas áreas devem sofrer uma grande valorização. A afirmação é do presidente da Associação das Administradoras e Corretoras de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva.

Ele explica que a Vila Aviação, por exemplo, tem diversas características favoráveis à valorização. “Na nossa avaliação de corretores de imóveis, a Vila Aviação é um bairro de grande futuro”, destaca.

A média dos tamanhos dos terrenos, de 450 metros quadrados, é um dos aspectos positivos, segundo Martinho. “O arquiteto ou engenheiro tem bastante disposição para dividir bem o terreno”, expõe Martinho.

Ele enfatiza que o bairro ainda não cresceu mais porque o poder público não fez as benfeitorias de infra-estrutura.

â€œÉ o último bairro da zona sul antes de rodovia e ferrovia. É bom porque não tem que atravessar a pista”, argumenta.

Na opinião do presidente da associação, os proprietários de imóveis ainda não construíram na maior parte dos terrenos pelo receio de ficarem isolados em áreas com terrenos vazios. “Mesmo assim, casas de padrão que estão sendo construídas lá”, diz.

De acordo com Martinho, o valor do metro quadrado na Vila Aviação é de, em média, R$ 70,00 a R$ 80,00. “Está num patamar de valorização razoável. Está valorizando cada vez mais. Cada construção que sai lá é um arranque maior”, salienta.

“Após o asfaltamento, é um bairro que vai explodir em um ano. Tem muita gente esperando essa benfeitoria do asfalto para poder construir”, reforça.

Bernardino

Quanto à região da rua Bernardino de Campos, Martinho afirma que o asfaltamento da via foi a melhor benfeitoria feita no local até hoje. “As transversais não foram asfaltadas. Quando chove, desce muita terra para a rua principal”, observa.

Ele explica que o asfalto incentivou a abertura de novos estabelecimentos comerciais. “Tudo está sendo concentrado na Bernardino de Campos, que foi a rua que a Prefeitura asfaltou”, afirma.

O valor médio dos terrenos sobre a via é de R$ 50,00 por metro quadrado, em média. Esse valor cai para R$ 25,00 nas transversais, que não têm pavimento.

Ele também acredita que o residencial do Plano de Arrendamento Residencial (PAR) é um estímulo para o desenvolvimento da região. “Quando concluir o PAR, automaticamente deverão surgir novos comércios. Vai ter um acúmulo de moradores bem maior do que o que já tem hoje”, calcula.

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