Política

Procura por ovos de Páscoa é baixa

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Faltando três semanas para a Páscoa, a procura pelos ovos de chocolate nos supermercados e lojas de Bauru tem sido menor em relação ao mesmo período no ano passado.

Enquanto os clientes reclamam do aumento médio de cerca de 25% nos preços do produto, os vendedores apostam que na última semana os estoques serão esgotados.

“Por enquanto estou só olhando, mas fiquei assustada com os preços”, conta Claudete Rodrigues. Ela afirma que não vai repetir as compras do último ano, quando levou seis ovos de chocolate para casa. “Desta vez vou comprar apenas dois para os meus filhos.”

Para Emília Pimentel, o jeito foi escolher um ovo de chocolate menor. “Está muito caro. Há produtos que triplicaram de preço”. A filha dela, Fernanda Pimentel, 11 anos, teve que se contentar com a nova realidade.

A promotora de vendas Fernanda Soriano Alves diz que os consumidores mudaram os hábitos. “Antes eles compravam para comer com antecedência. Agora, levam apenas para presentear”, observa.

Ela aposta em uma melhora nas próximas semanas. “O início do mês, quando a maioria das pessoas recebe o salário, sempre é uma época boa”, afirma. Das 900 caixas que ela tem em estoque, cerca de 100 já foram comercializadas.

Para outra promotora de vendas, Simone Andrade, que trabalha há dez anos com ovos de chocolate, os consumidores sempre dão um jeito de adquirir o produto. “Os que reclamam que houve o aumento não deixam de comprar. Além disso, a Páscoa é apenas uma vez por ano e vale fazer uma forcinha”, brinca.

Ela também acredita em uma procura maior nas próximas semanas. “O brasileiro tem essa cultura de deixar tudo para a última hora”, afirma Simone. Das 6 mil unidades que ela colocou à disposição dos clientes, cerca de 1.000 foram vendidas.

O gerente de uma rede de supermercados de Bauru, Sebastião da Silva, acredita que as vendas serão maiores do que em 2002. “Esperamos um acréscimo de 10%. O consumidor já está assimilando os novos preços, embora este ano o aumento tenha sido um pouco exagerado”, reconhece.

A vendedora Renata Zuicker não está tão otimista. “Acho que dificilmente vamos conseguir atingir os mesmos números do último ano.”

Ela notou uma diferença de comportamento nos clientes da loja em que trabalha. “Tem mais gente vindo comprar antes, especialmente quem vem buscar produtos para fabricar em casa.”

Zuicker explica que isso não significa, porém, um maior volume de vendas. “Quem faz ovos de chocolate caseiros também está com medo de ficar com o produto encalhado e está levando uma quantidade menor.”

Criatividade

O proprietário de uma loja de chocolates finos de Bauru, Walter Marar, aposta na criatividade para driblar os preços altos. “Procuramos dar ao cliente mais opções de produtos, com preços variados. Além disso, investimos nas embalagens e no acabamento.”

Marar acredita que conseguirá um resultado expressivo. “A procura está menor até agora, mas esperamos vender 20% a mais do que no ano passado.”

Segundo ele, a explicação é simples. “Na última semana antes da Páscoa, o consumidor acaba comprando o que encontrar pela frente”, afirma.

Ele afirma que a opção por ovos de chocolate menores partiu dos próprios fabricantes. “Eles diminuíram a quantidade para tentar amenizar os aumentos. É importante lembrar que não foi só o chocolate que subiu, mas também outros complementos do ovo, como o açúcar e as embalagens”, diz Marar.

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