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Mudança nos PSs sobrecarrega o PAI

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar de ter de atender toda demanda de urgência e emergência infantil oriunda dos prontos-socorros da Bela Vista, Mary Dota e Independência, que por decisão da Secretaria Municipal de Saúde deixaram de efetuar o serviço das 7h às 19h aos domingos por falta de pediatras, o movimento ontem no Pronto Atendimento Infantil (PAI) de Bauru foi intenso, mas tranquilo.

Nos períodos da manhã e da tarde, a reportagem do JC percorreu as quatro unidades de saúde e não encontrou filas ou demora excessiva de atendimento. Nem mesmo no PAI que, como era de se esperar, registrou aumento da procura pelos pediatras o atendimento estava demorado.

Segundo uma funcionária do local, que preferiu não se identificar, em domingos anteriores o plantão infantil chegava a atender, em média, 110 crianças, número que ontem foi alcançado já às 13h30, cinco horas e meia antes da troca de turno. A mesma funcionária informou que cinco pediatras estavam escalados ontem no PAI para efetuar os atendimentos.

Apesar disso, muitos pais protestaram sobre a ausência dos pediatras nos prontos-socorros dos bairros. A dona de casa Andréia Bueno, que levou seu filho ao PAI de manhã para cuidar de um problema intestinal, ressaltou que foi atendida rapidamente, mas reclamou da distância a que foi obrigada a se deslocar. “Moro na Vila Falcão e achava melhor quando tinha de ir ao PS da Bela Vista, pois é muito mais perto de casa”, disse.

O entregador Rogério Ferreira dirigiu-se, ontem à tarde, diretamente ao PAI com seu filho de um ano para tratar uma diarréia. “Soube pelo rádio que a partir de hoje (ontem) não haveria mais pediatra nos prontos-socorros dos bairros. Apesar disso, o ideal era que o atendimento continuasse neles, pois é mais cômodo para a população. Além de não ter de andar grandes distâncias, não gastaria com ônibus.”

Nos bairros

Nos prontos-socorros da periferia bauruense o tom das críticas foi ainda maior, principalmente dos pais que não sabiam da alteração promovida pela Secretaria Municipal de Saúde.

Um dos mais revoltados era o casal Marta dos Santos e Norival da Silva. Após andarem a pé meia hora até o pronto-socorro da Bela Vista, com duas crianças no colo com suspeita de pneumonia, foram informados que o atendimento só seria feito no PAI. “Agora temos de ir ao centro e não sei como, pois não tenho dinheiro para o ônibus”, esbravejou. â€œÉ uma vergonha chegar aqui e não ter médico”, completou o pai.

Marta acrescentou que o pronto-socorro não disponibilizou ambulância para transportá-los até o PAI. “Não nos ofereceram nada”, afirmou ela. A reportagem do JC conversou com a enfermeira-chefe da unidade, Fabiana de Souza Carvalho Mucheroni, sobre o assunto. Ela esclareceu que o veículo só não transportou o casal porque não houve tempo nem de lhes dizer que ele estava disponível.

“Quando a recepcionista falou que não havia pediatras e que não iriam ser atendidos aqui, eles rapidamente já saíram discutindo. Mas o procedimento normal é ofertar a ambulância, mesmo que ela não esteja na unidade e a pessoa tenha de aguardar um pouco”, explica Fabiana.

A enfermeira enfatizou, ainda, que a demanda pelo atendimento na unidade diminuiu. A explicação, segundo ela, está no fato de muitas pessoas terem tomado conhecimento, através da imprensa, da ausência dos pediatras nos prontos-socorros dos bairros aos domingos. “Até a quantidade de telefonemas perguntando se haveria atendimento na especialidade caiu”, destacou.

A mesma situação também foi verificada nos PSs da Vila Independência e do Mary Dota, este já no sábado sem pediatras. No primeiro, uma funcionária, que não quis se identificar, contou que muitos usuários ligaram para o posto a fim de saber se haveria atendimento pediátrico. “Algumas chegaram a dirigir-se até aqui, mas depois as encaminhamos até o PAI”, disse.

Entenda o caso

A Secretaria Municipal de Saúde cortou temporariamente o atendimento infantil nos prontos-socorros da Bela Vista, Mary Dota e Indenpendência porque a Prefeitura não está conseguindo contratar pediatras.

Em entrevista ao JC durante a semana passada, a secretária titular da pasta, Sônia Fiocchi, revelou a existência de um déficit de 212 horas para pediatria, o que corresponde a nove profissionais contratados por 24 horas semanais.

Entretanto, conforme ela, no último concurso apenas três profissionais inscreveram-se. Destes, um não compareceu para fazer a prova e um vai trabalhar apenas 12 horas por semana, pois já tem contrato temporário, de igual carga horária, com a secretaria.

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