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Dissecando a mentira


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Esta primeira manhã de abril surge estampando nas paredes lembranças sobre o clássico “dia da mentira”, aquele com o qual a liberta meninada de outros tempos fazia uma algazarra tremenda não só no lar como nas ruas e pátios escolares, seqüenciando versões cômicas ou irônicas emitidas por seus pais, irmãos e pessoas mais velhas. Mas, o que é a mentira e para que serve? Tem alguma utilidade significativa, com a qual possa trombar nas esquinas e sair ilesa, sorrindo para os que possam ter caído no seu engodo? Buscando-se dicionários e demais publicações algo parecidas constata-se substituir ela uma porção de sinônimos, tais como falsidade, lorota, patonha, pêta, poçoca, patoca, rodela, juízo errado, persuasão falsa e algumas “cositas más”... Essas as definições das mentiras ofensivas, pois as inofensivas têm o rótulo de mentirola... Qual delas machuca e, por isso, deve ser rejeitada em princípio? Acredita-se que todas, sem exclusões, porque bem atrás de suas intenções, mesmo que plausíveis, elas se fazem acompanhar de realidades que a consciência das pessoas bem intencionadas gostaria, com certeza, fossem realmente mentiras crassas ou deslavadas, como as divulgadas sobre a guerra entre Estados Unidos e Iraque, os conflitos na Colômbia e no Chile, as crises no Brasil, Paraguai e Argentina e as mortíferas manifestações populares de protesto contra os bombardeios no Oriente Médio. Gostariam todos que tais problemas, amplamente noticiados, fossem nada mais que resvalos das televisões e outros veículos que canalizam tristezas, para os corações dos bem intensionados, como se pensa dos espetáculos que destróem capitais, cidades e periferias e subtráem a vida de milhões de seres todos os dias. Contudo, o 1 de abril não para jamais, revelando-se anualmente predisposto pra se constituir em esconderijos indesmentíveis das verdades que não se deseja revelar para não assustar os realistas, que não são poucas. Consequentemente, vão continuar por todo o sempre, servindo de temas enganosos para as sociedades, a muitos atropelando e até matando e a outros salvando de situações embaraçosas, como as mentirinhas trocadas por autoridades, empresários, colegas de trabalho, estudantes etc, não se esquecendo das que salvam ou destróem namoros, noivados e casamentos e uma montanha de doces amizades, chegando-se a concordar, então, que as inverdades são tanto para o mal como para o bem! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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