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Socióloga diz que protestos levam à conscientização

Da Redação
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As freqüentes manifestações contra a guerra no Iraque em várias partes do mundo, inclusive em Bauru, são importantes para incentivar a conscientização coletiva. Essa é a opinião da socióloga e professora do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Maria Antônia Vieira Soares.

Para ela, qualquer movimento antiguerra, por menor que seja, deve ser respeitado. “Principalmente quando envolve jovens e crianças, que começam a refletir sobre o assunto”, diz Soares.

Em Bauru, políticos e sindicalistas fizeram uma vigília pela paz na última semana. Três escolas estaduais e a Universidade do Sagrado Coração (USC) também realizaram protestos e reuniram, segundo os organizadores, cerca de 1,5 mil pessoas. Ontem foi a vez de uma passeata dos alunos de 5ª a 8ª séries do Colégio Interativo, que mobilizou cerca de 90 crianças.

Soares diz que os atos isolados são válidos, embora causem menos impacto. “Se pudesse haver um protesto único, é claro que a dimensão seria muito maior.”

A socióloga afirma que este pode ser o primeiro passo para o exercício da cidadania. “Hoje as pessoas estão protestanto contra algo que está acontecendo longe, mas se forem chamadas a opinar sobre questões mais próximas, estarão preparadas.”

A professora acredita que está ocorrendo uma mudança de atitude. “Os países não estão mais simplesmente acatando as ordens do mais poderoso. Além disso, a pressão social é a melhor arma contra os desmandos e a opressão.”

Segundo ela, ainda é cedo para saber se os protestos são capazes de atenuar os riscos de outras possíveis guerras. “Eu gostaria que os governantes lembrassem dos atos antiguerra e pensassem duas vezes antes de começar um conflito, mas temos que admitir que há interesses econômicos que, às vezes, motivam muito mais do que qualquer passeata”, declara Soares.

Iniciativa infantil

O professor Daniel Tiepo Fonseca, um dos organizadores da passeata dos alunos do Colégio Interativo, acredita que o ato serviu de aprendizado para as crianças. “Eles entenderam que devem ter uma participação ativa diante dos fatos. A guerra não é só no Iraque, mas também para quem mora nas favelas que estão por toda a parte, até mesmo em Bauru”.

A professora Ana Cristina Madi conta que a iniciativa do evento partiu dos próprios alunos. “Quando começaram a surgir as notícias sobre o conflito, eles fizeram cartazes na sala de aula e queriam que as pessoas vissem esse trabalho.”

A passeata durou pouco mais de uma hora e terminou na Praça da Paz, onde os participantes fizeram um minuto de silêncio e uma oração.

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Veterano de guerra

Em meio a tantas manifestações contra o conflito armado, há quem pense diferente. É o caso do ex-tenente-coronel do Exército polonês, Aleksander Gniewosz, 82 anos, que atualmente vive no Brasil e já morou seis meses no Iraque. “Sou contra a guerra, mas no caso do Saddam Hussein acho que é a única saída. Ele é um pequeno Hitler, que pode crescer e se juntar aos terroristas para atacar os Estados Unidos.”

Gniewosz lutou na 2.ª Guerra Mundial e no final de 1942, quando estava na Escócia, foi recrutado para orientar tropas polonesas no Iraque. “Os britânicos montaram uma grande base de treinamento no país.”

Ele afirma que sabe bem o que as tropas invasoras estão enfrentando. “Durante as tempestades de areia, nós comentávamos que entrava terra até nas latas de sardinha. Tenho pena quando vejo esses americanos carregados de equipamentos tentando caminhar no meio delas.”

O ex-tenente-coronel aponta ainda outro inimigo natural. “O calor era insuportável. Tínhamos ordens para não sairmos das barracas das 10h às 15h. Ficamos dentro delas com toalhas molhadas enroladas na cabeça.”

Segundo ele, as cidades iraquianas cresceram bastante nos últimos 60 anos. “Bagdá e Basra eram bem menores e Kirkuk não passava de uma aldeia.”

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