A Mountarat - Sociedade de Proteção Ambiental - Bauru, uma organização não governamental, em parceria com veterinários da cidade, vai fazer uma campanha de castração de cães e gatos a preços inferiores aos cobrados pelas clínicas. Para Damair Pereira de Almeida, delegada da entidade, a castração é a única forma de controlar a natalidade, prevenir e proporcionar o bem-estar dos animais e evitar transmissão de doenças ao homem.
A proposta é castrar animais de famílias das classes baixa e média, que não têm dinheiro para pagar pelo procedimento realizado em clínicas. As inscrições para campanha, que deve durar dois meses, começam hoje.
A Mountarat, em acordo com os 16 veterinários cadastrados para participar da campanha, estabeleceu que a taxa para castração de felinos será de R$ 25,00 para macho e R$ 35,00 para fêmea. Para caninos, a taxa varia de R$ 50,00 a R$ 80,00, dependendo do peso do animal.
Nas clínicas, a castração de felinos custa, entre R$ 50,00 a R$ 80,00 e a de caninos acima de R$ 100,00, dependendo do tamanho do animal. O valor cobrado na campanha destina-se a pagar os medicamentos e materiais necessários na cirurgia, explica o veterinário José Alexandre Garla de Maio. “Essa campanha é para pessoas que não têm condições de pagar o preço da clínica. A taxa é só para pagar equipamentos e remédios. Nós entramos com a mão-de-obra”, frisa.
Maio diz que a castração é mais recomendado que os anticoncepcionais. “Há anticoncepcionais no mercado que não causam tanto risco à saúde, mas são caros”, diz. Osni Álamo Pinheiro Júnior, outro veterinário participante da campanha, concorda com o colega. “O anticoncepcional pode provocar doenças, inclusive o câncer”, diz.
Luciano Fazzani Bortotto, outro veterinário que participa da campanha, ressalta que os animais soltos representam vários riscos. “O cachorro na rua pode morder alguém, transmitir raiva, leptospirose. O gato pode transmitir toxoplasmose”, frisa.
Damair afirma que a campanha é necessária visto o grande número de cães e gatos existentes na cidade. “O censo, realizado no final dos anos 90, apontou que Bauru tem cerca de 96 mil cães e gatos, um número muito alto para a população da cidade”, frisa.
Ela afirma que, principalmente nas periferias, o número de animais é muito alto e os donos nem sempre têm condições de cuidar deles. Por isso, muitos acabam sendo abandonados. “Os animais errantes são um problema de saúde pública porque podem transmitir doenças, sem falar que, nas ruas, passam fome, sede, são atropelados e são maltratados”, ressalta.
Damair adianta que também está tentando conseguir dinheiro para pagar a castração dos animais de rua, sem dono. Porém, ela ressalta que mais importante que a castração é a responsabilidade pelo animal. “A posse responsável evitaria essa quantidade de animais nas ruas. Por isso fazemos palestras nas escolas pela conscientização da posse responsável”, frisa.
O número de animais nas ruas só não é maior porque a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) tem um canil e muitas pessoas cuidam de cães e gatos anonimamente. É o caso da manicure Lúcia Maria Casarin, que além dos seus quatro gatos e três cães, quase todos retirados das ruas, trata de outros que aparecem no seu portão.
“Eu tenho dó dos bichos que ficam na rua por isso pego e cuido”, diz ela que duas vezes por dia coloca ração para 12 gatos e seis cachorros de rua, que não têm dono. “E como eu cuido, as pessoas acham gatos na rua e trazem aqui em casa. Na semana passada, deixaram dois gatinhos. Para um já achei dono e o outro, está aqui”, diz.
Lúcia aprova a campanha de castração e ressalta que gosta de cuidar dos animais de rua, mas que o custo é alto. “A minha sorte é que ganho ração para os cachorros. Mas além de ração, tem remédio”, diz.
• Serviço
As inscrições para a campanha de castração podem ser feitas na rua Raphael Pereira Martini, 6-80, no Jardim Carolina, das 13h às 17h, de segunda a sexta-feira. Mais informações pelo telefone (14) 3016-5316.
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Uipa apóia
Maria Dolores Barbosa Gomes, presidente da Seção Bauru da Uipa, também aprova a campanha. “A castração é a única solução para conter os nascimentos. Não podemos esquecer que os animais nas ruas são um problema de saúde pública”, afirma.
Ela ressalta que a prova de que é preciso conter a procriação de cães e gatos é o canil da Uipa, que vive lotado. “O canil está com cerca de 180 cães e 400 gatos. Lá chegam animais doentes, machucados, de todo jeito. Na semana passada, deixaram uma caixa com oito gatinhos”, relata.
A presidente da Uipa conta que é raro conseguir um lar para os animais abandonados. “Cerca de 60% dos animais são velhos ou doentes e por isso ninguém quer. Conseguimos doar um a cada dois meses, em média”, afirma.
Por isso, ela diz que é favorável à castração. “Inclusive vamos mandar cadelas do canil para castrar”, completa.
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Veterinário questiona preços das cirurgias
Apesar de 16 veterinários terem comprometido-se a trabalhar na campanha da Mountarat e outros 12 apoiarem a iniciativa mesmo sem participar dela, a castração a preços populares já recebe críticas. O veterinário Carlos Roberto Montassier é um dos que não concordam com a forma que a campanha está sendo realizada e os preços cobrados.
“A campanha tem que ser feita com responsabilidade, dentro do código que nos rege. Esse preço que estão divulgando é aviltante, não condiz com a realidade. É impossível fazer um trabalho de qualidade, dar acompanhamento, por esse preço”, critica. Montassier lembra que apenas uma consulta custa R$ 30,00.
Ele também questiona as condições sociais dos donos dos animais castrados. “Sei de gente com condições de pagar pelo serviço que aproveitou a campanha no ano passado”, afirma. A mesma crítica ele e outros cinco profissionais fizeram na primeira edição da campanha em 2002.
Mesmo com as críticas, que acabaram gerando polêmica, Damair Pereira de Almeida afirma que foram castrados cerca de 1.600 animais na época. O veterinário Osni Alamo Pinheiro Júnior garante que o valor cobrado pela castração na campanha é suficiente para fazer o procedimento dentro das normas exigidas.
“Esse valor é suficiente sim para pagar material e de qualidade. Nós não vamos receber. Vamos fazer um trabalho voluntário”, frisa. O veterinário Luciano Fazzati Bortotto ressalta a campanha terá dois meses e só serão castrados os animais após uma triagem social, feita pela Uipa.
“A Uipa faz a triagem social e nós a clínica. Se o animal estiver doente, prenhe ou muito debilitado, não fazemos a cirurgia”, diz. Ele explica que a castração é um procedimento simples, mas como qualquer outra cirurgia, oferece um certo risco ao animal.