Leio as cartas publicadas na Tribuna do Leitor com muito carinho e atenção (exceto as da prefeitura, que nunca leio), especialmente a do meu querido amigo Dorival Cury, que mereceu algumas conclusões. Caro Dorival, permita-me dizer-lhe que se a Câmara ainda consegue impor-se ao respeito da Nação é devido a algumas poucas figuras de mérito real que dela participam.
Essa relação obscena de benefícios aprovados em causa própria nos leva a concluir que na Câmara Federal não temos “falsos representantes do povo” e sim “inimigos públicos número um do povo”, salvo raras exceções. Não há em muitos deles uma preocupação de idéias do bem público, tudo gira em torno de interesses pessoais e de certas individualidades de momento, inspirando o apetite insaciável de posições e dinheiro farto.
É também uma grande prova da decadência moral, facilmente encontrada na corrupção, no gosto do luxo supérfluo, da sustentação das riquezas fáceis onde a tentação do mando, a volúpia do poder, são seus programas exclusivos, em uma verdadeira afronta ao trabalhador honesto e decente que ganha salário de R$ 240,00 por um mês de trabalho, aos aposentados indefesos, e aos aflitos, torturados e infelizes desempregados.
Muito lamentavelmente somos forçados a concluir também que mais parecem um bando de aventureiros surgidos do acaso, de instrução duvidosa ou na melhor das hipóteses com a cultura deficiente e mal feita, um verdadeiro refúgio de mediocridades, que nos representam, onde muito pouco se salva.
Caro Dorival - reze - há um poder imensurável nisso - Dalai Lama. (Blasco Peres Rego - OAB 17.461)