As alterações no sistema de transporte coletivo de Bauru, com mudanças de horários e itinerários das linhas, ainda são novidade para a população e geram dúvidas e algumas críticas.
O novo sistema entrará em vigor no próximo dia 12 e a divulgação começou a ser feita ontem pela Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), através da distribuição de jornais e tabelas de bolso nos ônibus e em pontos estratégicos da cidade.
A proposta da modelagem é diminuir o custo do sistema, melhorar a qualidade do atendimento e prepará-lo para implantação do passe integração. Para isso, algumas linhas sofrerão adaptações ou fusões. Outras serão canceladas e duas novas linhas serão criadas.
O Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) da Emdurb - 0800-994599 - tem superado a média de atendimento nos últimos dias devido às dúvidas referentes à modelagem.
A média de atendimentos do SAU é de 680 ligações recebidas diariamente. Em 2003, a média tem sido de 400 chamadas. Até as 14h de ontem, a Emdurb recebeu 417 telefonemas. O tempo médio de atendimento passou de no máximo um minuto para até oito minutos, durante esta quarta-feira.
Em 95% dos casos, os usuários não têm queixas, mas sim dúvidas, de acordo com a assessoria de imprensa da Emdurb. Ela afirma que a desinformação é uma das grandes motivadoras dos telefonemas.
Perguntas também sobram para motoristas e cobradores. “Alguns perguntam, alguns pegam (a nova tabela) para analisar. Alguns têm muita dúvida”, diz o cobrador João da Silva.
Anésio Lopes, outro cobrador, diz que alguns usuários reclamam ao receber o jornal de divulgação. “Eles temem que vai ficar ruim. Eles acham que vai ter menos ônibus e que vai ficar mais difícil”, conta.
Opiniões
O técnico em informática Carlos Eduardo Alves, que usa ônibus diariamente, é um dos usuários que ainda não conhece o sistema de modelagem. “Ainda não tenho noção”, confessa.
O aposentado Wilson Grion não havia recebido as novas tabelas quando foi entrevistado e, apesar do desconhecimento, está otimista com as mudanças.
“Não sei, mas estou curioso e vou procurar ligar para a Emdurb para me informar. A perspectiva é de que melhore”, expõe.
Com o jornal da Transurb em mãos, a merendeira Terezinha Brandão tentava entender a modelagem ontem, no ponto de ônibus. “Eu ainda não sei o que vai acontecer e não entendi as mudanças”, conta.
A dona de casa Vera Lúcia Ananias reclama que atualmente seu ônibus demora bastante para passar nos pontos e tem esperanças na modelagem. “Eu escutei falar que vai mudar, mas ainda não me informei”, afirma.
Antes de ler o jornal que recebeu dentro do ônibus, Sueli Mendes da Silva revelou que não acredita que a modelagem melhore o serviço.
“Se já demora quando a gente espera no ônibus, vai demorar mais ainda. Ele vai circular por mais vilas antes de passar na nossa vila”, acredita.
A auxiliar de produção Andréa Pereira reclama da fusão das linhas Pousada da Esperança - Centro e Pousada da Esperança - Centreville. Ela teme que os intervalos entre os ônibus sejam maiores e afirma que terá que sair mais cedo de casa para trabalhar porque a nova linha tem um percurso mais longo.
“Eu acho um absurdo porque algumas pessoas terão que andar mais quadras para pegar o ônibus. Eles estão tirando coisas que não seriam necessárias”, opina.
A assessoria de imprensa da Emdurb informa que a Pousada da Esperança terá boa oferta de veículos com a modelagem. As duas linhas fundidas têm itinerários semelhantes. A nova linha terá mais carros. Além disso, a Pousada da Esperança agora será beneficiada com a linha Interbairros, uma reivindicação antiga dos moradores.
Na Vila Tecnológica, as novidades também geraram reclamações. O morador Cássio Eduardo Vanuzini diz que trabalhadores serão prejudicados pelas alterações da linha Jd. Nova Esperança/ Rosa Branca - Câmpus/ IPMet.
Ela deixará de atender o bairro e os demais ônibus não passam pela avenida Nações Unidas para chegar ao Centro.
“Gostaríamos que o itinerário fosse mantido pela Nações Unidas”, expõe Vanuzini.
O diretor da Divisão de Transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, afirma que a questão da Vila Tecnológica será discutida com os moradores em reunião agendada para a próxima segunda-feira.
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Principais alterações
A proposta da modelagem consiste em otimizar o uso dos veículos redistribuir as linhas na cidade, melhorando o atendimento e reduzindo os custos em R$ 500 mil por mês.
A frota, que hoje opera com 239 carros, terá uma redução de 27 ônibus. Vinte e um dos cerca de 1.700 pontos atuais serão extintos. Apesar disso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) garante que o tempo de espera não irá aumentar.
Pelo contrário. Ele deverá passar de 30 minutos, em médica, para 20. A mágica consiste em reduzir o número de linhas de 76 para 55 e concentrar mais carros em cada uma delas, aumentando a freqüência com que os coletivos passam pelos pontos.
Linhas ociosas ou sobrepostas serão canceladas ou fundidas para evitar que os carros transitem vazios e disputem passageiros.
De acordo com Waldomiro Fantini Júnior, diretor da Divisão de Transportes da Emdurb, as linhas eliminadas apresentavam baixa demanda e tinham linhas concorrentes, com itinerários muito parecidos.
“Não estamos simplesmente tirando linhas. Estamos adaptando outras linhas para cobrir aquele itinerário”, expõe.
O diretor destaca que 100% dos ônibus passarão por alterações de horário, mas apenas 40% terão mudanças de itinerário.
Fantini Júnior garante, ainda, que com o novo sistema, nenhum morador da área urbana de Bauru ficará a mais de 300 metros de um ponto de ônibus. A média, entretanto, para a maioria da população, será de 150 metros.
Em vazios urbanos, como fundos de vale, ou nas extremidades da cidade a distância de um ponto de ônibus pode chegar a 500 metros.
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Favorecidos
Uns reclamam, outros têm dúvidas, mas algumas pessoas já visualizaram melhoras no novo sistema. É o caso da aposentada Maria Furtado, que mora no Jardim Solange. “Se for como eles dizem mesmo no jornalzinho, vai melhorar”, diz.
O copeiro Leandro da Silva Machado, do Jardim Godoy, está contente porque terá ônibus em horário mais adequado para ir ao trabalho. “Os intervalos serão mais curtos. Para mim, vai ser melhor para ir para o serviço”, afirma.
Rita Martins Moraes, moradora do Núcleo Octávio Rasi, sente-se favorecida pela freqüência com que passarão os ônibus. “Estávamos com poucos ônibus e foram colocados mais horários”, expõe.
O promotor de vendas Henrique Alves Dahora, do Parque Nova Bauru, fez observação semelhante. “A cada 20 minutos vai ter um ônibus e era a cada meia hora. O tempo de espera no ponto vai ser menor”, diz.