Bairros

Transporte escolar começa em Tibiriçá

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Pouco mais de dez alunos da zona rural matriculados no ensino médio da escola estadual “Major Fraga”, no Distrito de Tibiriçá, finalmente retornaram às aulas ontem à noite. Eles permaneceram quase dois meses longe das salas de aula porque não dispunham de transporte. Dois ônibus contratados emergencialmente pela Diretoria Regional de Ensino garantiram a locomoção dos estudantes.

Apesar de cada veículo ter capacidade para 40 passageiros, um deles conduziu apenas dois adolescentes, conforme apurou o JC. De acordo com informações extra-oficiais obtidas junto à escola, a baixa freqüência foi decorrente do tempo chuvoso, do final da semana e da desinformação dos estudantes.

Anteontem, parte deles aguardou nos pontos de ônibus a condução prometida para quinta-feira passada pelo dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, mas ela não saiu.

“A empresa contratada nos garantiu o transporte para ontem (anteontem). Quando soube que não tinha dado certo, entrei em desespero. Hoje (ontem), logo pela manhã procurei outra empresa para viabilizar a locomoção o mais rápido possível”, explica Sanches Vieira.

Após um acordo desastrado com a primeira prestadora de serviço, a Diretoria Regional de Ensino fechou contrato com a Empresa de Ônibus Brambilla Ltda. Ela também trabalha para a Prefeitura Municipal de Bauru transportando os alunos do ensino fundamental.

Assim como a administração municipal, o Estado desembolsará R$ 1,73 por quilômetro rodado. “Como já conhecemos o trajeto, não existe dificuldade. Como a relação de alunos pode aumentar, o itinerário será ajustado na próxima semana”, explica o proprietário da empresa Helsio Bíscaro. Segundo ele, o percurso não será inferior a 130 km.

Foi justamente essa distância que fortaleceu a luta dos alunos resistentes à evasão escolar. Para reconquistar a locomoção, eles se valeram de protestos e de uma liminar concedida pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer.

Em sua decisão, o magistrado determina que todos os estudantes de Bauru que morem a mais de dois quilômetros da escola onde estão matriculados, desde que não haja vaga no bairro, sejam conduzidos gratuitamente pelo Estado até um estabelecimento de ensino.

“Estamos aguardando as outras escolas encaminharem os requerimentos, para que outros ônibus sejam disponibilizados. Ainda não temos um levantamento completo”, ressalta o diretor regional de Ensino.

Apesar da iniciativa, o Estado está à há mais de dez dias descumprindo a liminar vigente desde de o dia 22, que passou a ser respeitada parcialmente somente ontem. Por essa razão, a Secretaria do Estado da Educação está sujeita à multa de R$ 1 mil por dia e por adolescente fora da escola.

Embora acene com a possibilidade de atender todos os estudantes que enfrentam dificuldade de locomoção, o Estado ainda aguarda o julgamento de um recurso no Tribunal de Justiça (TJ), que pode suspender a liminar do juiz Ubirajara Maintinguer e, conseqüentemente, o transporte escolar.

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Apreensão

Embora felizes em reencontrar os colegas, os alunos da escola estadual “Major Fraga” retornaram apreensivos. Eles temem não acompanhar o ritmo da sala porque perderam o conteúdo das disciplinas, além de provas e trabalhos.

“A semana passada já perdi provas. Acho que não vou entender nada que o professor explicar. Terei que correr atrás, pedindo ajuda aos amigos e negociando com os professores outros trabalhos. Hoje (ontem) foi legal porque revi algumas pessoas”, conta Joel da Silva, aluno do primeiro ano do ensino médio.

Além dessas preocupações, ele teme que o transporte seja suspenso a qualquer momento, assim como Nelson da Silva Júnior.

“Estava com saudades da escola. Não agüentava mais ficar plantado em frente à televisão”, conta ele.

Já Ângela de Fátima da Silva Antônio, tia de uma estudante do primeiro ano do ensino médio, comemorou a retomada da condução. “Participei dos protestos e acho que a nossa luta valeu a pena. Só espero que façam a reposição de aula”, informa.

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