Cultura

Oswaldo Montenegro acústico

Da Redação
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O cantor e compositor Oswaldo Montenegro realiza um show acústico hoje, em Bauru. Ele sobe ao palco da Cervejaria dos Monges para apresentar canções inéditas do seu mais novo álbum “Estrada Nova” - o 29ª de sua carreira - além de antigos sucessos, como “Bandolins”, “Lua e Flor” e “Intuição”.

“Eu vou misturar todos os discos até hoje. É uma ‘mistureba’. Toco o que vier na minha cabeça”, afirma o cantor.

Montenegro enfoca em “Estrada...”, através de versos e melodias, as impressões de quem conheceu a diversidade cultural do Brasil. O trecho “Seja festa, pro povo em romaria, a quem grita gol e atesta a vitória da alegria. A quem nunca teve e empresta, a quem anda e assobia”, da faixa “Festa” é um exemplo do caráter social revelado no novo disco.

“São músicas que fiz nesse último ano e representam coisas que eu senti ou me aconteceram”, observa Montenegro, que se define com um mero violeiro, um repentista.

O músico promete fazer uma apresentação marcante, alternando melodias doces de flautas com percussão eletrônica. O som eclético é uma das características de “Estrada Nova”.

A música “Jardins e Quintais”, por exemplo, traz sons de bandolins e mistura raízes do Nordeste brasileiro com a história de Portugal. Na faixa que dá nome ao disco, o público pode apreciar uma melodia apoiada na simplicidade em arranjos de violão. Já “Tiro Cruzado”, revela influências nordestinas em fortes acordes de violoncelo, retratado um duelo corajoso com a vida.

Teatro

Com 23 anos de carreira musical, Montenegro conhece bem as estradas do País. Nascido em Grajaú, Rio de Janeiro, passou a infância em São João Del Rey, Minas Gerais e a juventude em Brasília. Durante dois anos viveu como nômade, percorrendo diversas cidades brasileiras.

“O título do CD é interessante, porque eu sempre vivi na estrada. Ao mesmo tempo ele aponta para uma nova fase que eu estou vivendo, em todos os sentidos”, conta Montenegro.

Além da extensa trajetória musical, o artista possui outros talentos menos conhecidos do público, é autor e diretor de peças teatrais e espetáculos de dança.

“Estou fazendo a turnê de ‘Estrada Nova’, dirijo alguns espetáculos como ‘Léo e Bia’, que vai estrear em junho, o balé ‘Telas’, em Minas Gerais, o espetáculo ‘Deus’, que é um musical com Tânia Maia e outro em Curitiba”, detalha Montenegro, que escolheu os músicos bauruenses Gustavo Ornelas e Luana Cortez para fazer parte do seu elenco teatral.

• Serviço

Show de Oswaldo Montenegro hoje, a partir das 23 horas, na Cervejaria dos Monges, em Bauru. Av. Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 234-7773.

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Cantor trilha caminho próprio

Adorado pelos fãs, que comparecem fielmente aos shows, e visto como um cantor da MPB de caráter despojado pelos críticos, Oswaldo Montenegro é um artista de personalidade marcante e polêmica.

Autor de 29 álbuns, o músico tem sucessos consagrados, como “O Condor” e “Drops de Hortelã”, gravada com a atriz Glória Pires, mas possui outras dezenas de canções que passaram despercebidas para o grande público.

Conhecido pela sua irreverência nos palcos, Montenegro, que já foi até tema samba-enredo, escolheu trilhar seu próprio caminho. Para muitos, possui a fama de andar na reta oposta do showbusiness. Na década de 80, por exemplo, o artista viveu uma fase na qual ao mesmo tempo em que não aceitava o anonimato, rejeitava o sucesso.

Quando a canção “Bandolins” estourou num festival promovido pela extinta TV Tupi, o artista passou por uma crise, que o levou a viver alguns meses em uma aldeia de pescadores em Brasília e a romper contrato com uma gravadora.

O cantor conversou com o Jornal da Cidade por telefone esta semana e revelou algumas características de sua peculiar trajetória de vida. Confira alguns trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Roberto Menescal refere-se a você como o maior trovador contemporâneo. Você se considera um poeta moderno? Oswaldo Montenegro - Eu não penso em mim, não tenho essa avaliação crítica sobre meu trabalho. Tenho o privilégio de ser pago para fazer uma coisa que eu faria de graça. Subo no palco e vomito tudo o que tem na minha cabeça e procuro não pensar no que eu vou cantar, tocar, escrever ou dirigir. Uso a arte exclusivamente para desabafar e falar tudo o que eu quero. Dei sorte, deu certo.

JC - Qual é o balanço que você faz dos últimos anos de sua carreira? Montenegro - É uma vida muito louca, porque parece que eu não chego nunca. Estou na estrada há muitos anos e é uma vida emocionante, mas ela é sem curso, tenho um prazer enorme em trabalhar no que gosto, mas minha vida tem algumas chatices, porque a cobrança em relação às pessoas mais conhecidas é muito grande. Tenho a sensação de que sou um estradeiro e não tenho nada a fazer a não ser tocar minhas canções e escrever meus espetáculos. É uma vida muito estranha e linda, mas louca e acelerada. Mas é melhor do que trabalhar numa coisa chata e ir para a churrascaria domingo com cara de tédio.

JC - Como você vê o mercado fonográfico? Existe a preocupação em lançar discos? Montenegro - Eu nunca planejo nada em relação ao mercado. Vou fazendo os meus discos, peças e livros, e o mercado os absorve ou não, de acordo com a leis dele, as quais eu não quero entender e não penso nelas num único segundo. Acho muito chato olhar para o mercado da música e da arte. Acho pensar arte uma bobagem, a música é para sentir. Faço uma canção porque senti alguma coisa, se alguém se identificar com isso, é bonito, acabou. O mercado é uma conseqüência, que tem que ser analisado por economistas e sociólogos. Eu sou um estradeiro, violeiro e repentista, que está andando por aí cantando suas coisas.

JC - Qual é a mensagem do CD “Estada Nova”. O que ele simboliza? Montenegro - Ele também presta homenagem aos meus amigos, porque a única coisa que vale a pena na estrada, depois de tantos anos, são os amigos e o afeto. O showbusiness e o glamour da fama são bobagens, o afeto é a única coisa que vai na sua mala, na estrada, e não pesa.

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