Os moradores do Jardim Vitória mais uma vez deram mostra de paciência. Ontem à tarde, um grupo aguardou por três horas e meia a presença de um representante da Prefeitura de Bauru para quem, novamente, seria solicitada a pavimentação de sete ruas do bairro. De acordo com a Polícia Militar (PM), 300 pessoas participaram do protesto.
Durante a espera, eles interditaram o tráfego de veículos na avenida Maria Ranieri, que dá acesso ao Parque dos Sabiás, entre as quadras 1 e 5. Os motoristas não puderam transitar das 16h às 19h30.
Além do fogo ateado em pneus e madeiras e da presença do efetivo da PM e do Corpo de Bombeiros, o brado dos moradores criticando o abandono do bairro também chamava a atenção no local.
“Já fizemos mais de 40 abaixo-assinados e é o segundo protesto em menos de um mês. Mesmo assim, ninguém aparece para se manifestar. Quando vou pessoalmente até a prefeitura, fico igual peteca: de um lado para o outro. Ninguém resolve nada”, desabafa Rosimeire Aparecida Cesário.
Segundo ela, os vizinhos têm juntado dinheiro para garantir seu transporte até o Palácio das Cerejeiras a fim de que o pedido reiterado há cinco anos seja acatado pela gestão Nilson Costa.
“Em período eleitoral, eles nos procuram e fazem promessas em praça pública. Agora, é impossível encontrá-los. Pelo menos quando era o Izzo (ex-prefeito), os compromissos eram cumpridos. Só uma das duas pistas da avenida foi asfaltada porque os moradores do Parque dos Sabiás pagaram”, esbraveja.
Por essa razão, a avenida tornou-se via de mão única e os acidentes se multiplicaram, garante ela.
Já Maria Valdecir, moradora da quadra 23 da rua Walter Belian, reclama que não pode sair de carro da sua residência há cinco meses porque um buraco a impede. “Já ligamos para todo mundo. O máximo que fazem é jogar terra, que é levada na primeira chuva. Nem ambulância passa por aqui”, relata Luiza Machado, moradora da mesma via pública.
Além da situação das ruas, a proliferação de cobras, aranhas e escorpiões nos terrenos baldios da região também foi alvo de protestos. “Fica tudo abandonado, mas para cobrar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) somos lembrados. Alguém deveria pelo menos nos dar uma satisfação hoje (ontem)”, defende Elisio Alves.
O sargento Edmilson Marinho da Silva, da Base Comunitária Oeste, tentou intermediar o encontro entre os reclamantes e secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, que não compareceu.
Para que o protesto não se prolongasse ainda mais, o policial tentou demovê-los da idéia de permanecerem por mais tempo na avenida. Às 19h30, os moradores retornaram a suas residências prometendo novas manifestações.
O JC também tentou contato com o secretário de Obras, mas foi informado que ele estava viajando.