No último domingo, estava em frente a um ponto do capitalismo mundial esperando por uma amiga. Começou a chover forte e passei a observar um empregado do estabelecimento, que acompanhava as pessoas até seus carros com um guarda-chuva. Eu tinha alguns pingos em meu casaco, sentia muito frio e imaginei a situação do rapaz, já que este tinha a camisa muito molhada nas costas. Foi então que um carro estacionou e passou a buzinar para o “escravo” ir buscá-lo naquele temporal. O rapaz realizou sua tarefa e logo estava de volta acompanhando um homem com uma garotinha que gritava: “Minha sandália! Não pode molhar!” Felizmente, o homem respondeu: “Pode, sim”. E entraram no carro.
A chuva diminuiu e passei pelo “escravo” que cantarolava um trecho da música “Lose yourself”, de Eminem: “... you better never let go...” A situação me pareceu tão triste e revoltante que comecei a olhar carros que passavam sobre uma poça d’água e pensar: “Ih! Seu carro vai sujar de barro...”
Descrevo aquela experiência como um estruturado romance entre o capitalismo e o individualismo, do qual nasce, dentre outras coisas, o “bebê guerra”. Termino com um trecho de outra música: “... minha vida não tem tanto valor quanto seu celular, seu computador...” (Cristina Valéria Carreira Impronta - e-mail: criscorgan@hotmail.com)