Guerra no Iraque 2003

Marines assumem função policial

Por Matthew Green | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Treinados para dizimar seus inimigos no campo de batalha, os fuzileiros navais dos Estados Unidos estão começando agora a executar uma tarefa mais delicada - a de policiar as ruas sem lei de Bagdá. A polícia local desapareceu junto com a queda do regime de Saddam Hussein, abrindo caminho para uma onda de saques. Há vários edifícios em chamas e tiroteios pela cidade. Falta luz, e as pessoas têm medo.

A gratidão aos EUA, demonstrada por vários iraquianos pela derrubada de Saddam, pode evaporar, se os norte-americanos não fizerem um bom trabalho como policiais. “Agora estamos um pouco fora da zona em que nos sentimos confortáveis, mas não estamos despreparados ou destreinados”, disse o tenente-coronel dos marines Jim Chartier, perto do Monumento aos Mártires.

“Se eu precisar dar segurança a uma mercearia para que ela não seja roubada, farei isso. Por outro lado, ainda há gente querendo nos matar, então não podemos baixar a guarda”, afirmou. Mas o trabalho de policiamento pode ser frustrante para jovens treinados principalmente para matar.

“Ontem, estávamos tendo de procurar coisas suspeitas e ao mesmo tempo controlar a multidão. Você se sente como um guarda de trânsito”, disse o cabo John Ross. Equipamentos para garantir a ordem certamente os marines têm, já que a visão de tanques e canhões devem desestimular potenciais saqueadores.

Mas os próprios operadores dos tanques admitem que esse não é o melhor recurso para controlar uma população nervosa.

“Não dá para embicar um tanque numa rua e dizer: “Oi, somos seus amigos”, disse o sargento Erik Benitez, 31 anos, sentado à sombra de seu veículo. “Um tanque é uma máquina de matar”, completou, dando um carinhoso tapinha na lagarta do tanque.

A descrição feita por Benitez ganha força quando se lê os “apelidos” gravados em alguns tanques - “Passagem para o Paraíso”, “Inesquecível” ou “Solução Final”. Além disso, o fato de soldados dos EUA, sob grande tensão, terem disparado contra carros de civis dificilmente servirá para angariar mais simpatia para os invasores.

Ontem, os marines discutiam a imposição do toque de recolher numa parte de Bagdá e implantar patrulhas também no período noturno. O tamanho da cidade complica ainda mais a tarefa, já que os EUA não têm um contingente que possa vigiar simultaneamente toda a capital, de 5 milhões de habitantes.

E, naturalmente, os iraquianos não têm um número de telefone pelo qual possam chamar as tropas dos EUA. A segurança é um problema grave em Bagdá, mas não o único. “O que mais queremos é eletricidade”, disse o gerente de banco Waleed Yagob Ibrahim, 51 anos.

“As crianças estão com medo, a escuridão não é boa para elas”. Um marine contou que foi abordado por um iraquiano que perguntava por que os EUA não consertaram a usina elétrica da cidade. O marine respondeu que não sabia onde ela ficava. “Como não? Vocês a bombardearam!”, respondeu o iraquiano.

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