Cerca 250 agentes de segurança penitenciários que trabalham em Bauru e Pirajuí estavam preparados para assistir a primeira sessão do filme “Carandiru”, que seria exibida ontem, às 20h, no Cine Bauru 1.
A iniciativa de agrupar os funcionários das prisões da região foi do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro Oeste Paulista (Sindcop), que acredita que a obra de Hector Babenco, baseada no livro de Drauzio Varella, não seja justa com os profissionais do setor.
Para a sessão, os funcionários do Sindcop conseguiram um desconto de 50% com a direção do cinema.
“Vamos ver o filme não só como expectadores, mas como jurados também”, disse ontem à tarde o presidente do Sindcop, Jardel de Araújo. Segundo ele, o roteiro do filme já havia sido divulgado pela produção para o sindicato, que viu no texto a descrição de algumas cenas ofensivas à categoria dos agentes de segurança.
“Estive com o Babenco em março e ele disse que o filme era fiel ao livro”, afirmou Araújo, que não faz restrições à obra literária. O presidente do sindicato acredita, porém, que o diretor de “Carandiru” tenha mudado certas passagens da história.
A suspeita de Araújo é baseada em informações do coronel da Polícia Militar e deputado estadual Ubiratan Guimarães, o homem que comandou a invasão do presídio, em 1992, quando morreram 111 detentos no pavilhão 9.
“O coronel através de um fax disse que o filme tem cenas irresponsáveis, inverdades. Por isso vamos conferir”, declarou. De acordo com Araújo, a hipótese de uma ação do sindicato contra o filme não está descartada.