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Vereador pede facilidades a feirantes

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PP) encaminhou ao governo do Estado um requerimento solicitando que seja oferecido aos feirantes as mesmas facilidades de financiamento que é dada aos taxistas para a renovação de sua frota de trabalho. Neste caso, o crédito seria limitado à aquisição de veículos utilitários pequenos e médios.

Ávila conta que um tio seu trabalha como taxista há vários anos. Por isso, ele conhece os programas de crédito concedidos a estes profissionais. Recentemente, o Jornal da Cidade (Auto Mercado) publicou uma matéria em que o feirante Victor Fernandes enaltecia sua Kombi, mas reclamava dos gastos freqüentes com a manutenção da perua ano 1979.

Freqüentador assíduo de feiras livres, Ávila procurou por Fernandes, conversou e decidiu fazer o requerimento. “Com esse financiamento de renovação dos veículos dos feirantes, poderão eles substituir os atuais que estejam em condições precárias ou em mal funcionamento, troca que seria inviável se eles precisarem arcar com o preço de nova aquisição em financiamento não subsidiado”, justifica o documento.

Na opinião do feirante Nivaldo de Oliveira Ponce, que tem um caminhão 1980, seria muito bom poder comprar um veículo mais novo. “Eu viajo muito, trago produtos de fora, de Guaraçaí, Frutal. Só não troco meu caminhão por falta de facilidades de crédito. Para os maiores é mais fácil, mas os pequenos vendedores estão todos quebrando”, salienta.

“Eu trocaria minha Kombi 1975 rapidamente se houvesse essa facilidade. Não troco hoje porque tenho medo da inflação. A cada presidente que entra a gente fica com receio do que vai acontecer. Quem sabe agora alguém olha para a classe média baixa, não é”, comenta o vendedor Astolfo Miranda.

Desconfiado, o feirante Masaite Osazima lembra que trabalhadores pobres não conseguem comprar veículos novos. Proprietário de uma Kombi 1974, ele sugere que precisaria conhecer as facilidades antes de decidir se trocaria ou não sua perua. “Talvez compraria”, pondera.

Já o feirante Antônio Ilson Gonzalez, dono de uma Kombi 1973, diz acreditar que ficaria mais fácil com o financiamento subsidiado. “Hoje não dá nem para pensar em trocar. Mas seria bom poder comprar mais barato”, admite.

Benefícios

De acordo com o taxista José Flávio de Lima, a concessão de facilidades aos taxistas não é constante - ela é anunciada em épocas específicas definidas pelo governo.

“Nestes períodos a gente consegue comprar automóveis sem pagar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços), mantendo só o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Com isso, o valor final do veículo é reduzido em cerca de 40%”, esclarece.

Questionado sobre a sugestão do vereador, Lima aprova, mas adverte que mesmo com as facilidades, profissionais de todas as áreas não têm dinheiro para investir em renovação de frota hoje.

“Tenho certeza que eles encontrariam as mesmas dificuldades que nós, taxistas. Nossas tarifas, por exemplo, estão muito defasadas em comparação aos aumentos do combustível. As pessoas estão sem dinheiro, há menos dinheiro em circulação para todas as áreas da economia”, defende.

Ele ressalta que tem um carro ano 1990. “Eu tenho vontade de trocar, mas só faço isso com o pé no chão. Hoje eu não faria prestações prolongadas”, garante.

Lima destaca que mesmo as feiras de veículos seminovos não têm o mesmo movimento que tinham há algum tempo. “As revendedoras já facilitaram, aumentaram o número de parcelas e aceitam a compra à base de troca. Mas as pessoas estão quebrando. Só aqui na região dois restaurantes e duas padarias já fecharam. O dinheiro sumiu e mesmo com facilidades as pessoas estão com medo”, encerra.

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