O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe vêm se adaptando ao fato de serem governo. Particularmente, Lula goza da credibilidade e confiança da população e até mesmo dos principais organismos internacionais. Existe confiança e expectativa. Na prática, o maior teste de Lula e sua equipe foi no campo econômico. Como reagiriam os indicadores econômicos de curto prazo em plena guerra? Neste campo, surpreendeu positivamente. Em outros tempos, só o fato da guerra seria suficiente para que o nervosismo se imperasse no País. O que foi isso? Na prática, é o resultado de posicionamentos contundentes e o fato de o governo estar dando a “ração” que os mercados gostam (juros altos, rigor fiscal, disposição em implementar reformas etc.). Isso reverteu expectativas e toda a precificação do ano passado, representada, por exemplo, pelo dólar, foi reduzida.
Então, o saldo é positivo? Nem tanto. Na verdade, o modelo econômico ainda é o mesmo, e uma solução duradoura só virá mesmo com o avanço das reformas estruturais, ou seja, indicadores de curto prazo retratam mais a confiança do que tendências.
A figura que me ocorre é a seguinte: o governo Lula tem um paciente que precisa de uma delicada cirurgia. Acontece que esse paciente era levado de cá para lá, buscando soluções definitivas, mas tinha alguns pontos que impediam a cirurgia. Pressão alta, colesterol elevado, nível de glicose acima do aceitável e ainda por cima muita gente o convidava para uma bebidinha e comidas nada recomendáveis (e o paciente aceitava).
Desta forma, não era possível realizar a cirurgia, pois o paciente estava fragilizado e por certo não sobreviveria. Em parte, fruto da boa percepção externa, o nosso paciente está em melhores condições. Já dá para começar a investigar melhor que ponto irá atacar. É isso que se pode constatar: paciente com melhores condições para efetuar a cirurgia, que neste caso seriam as reformas. É fundamental aproveitar o bom momento para discutir o assunto com a sociedade. Se de um lado ainda vivemos uma lua-de-mel com o governo Lula, de outro lado é fundamental avançar. Caso contrário, credibilidade e expectativa se transformarão em desesperança, e isso levaria a revolta. Se Lula não se perder na popularidade, por certo terá plenas condições de encaminhar o processo, afinal, a oposição de hoje é muito mais “light” que a oposição do passado (o PT é situação!). Ajudemos o paciente a sair dessa para garantir vida longa. Vale lembrar que o paciente é o mesmo, só teve uma melhora. (O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, mestre em Comunicação e delegado do Corecon)