Guerra no Iraque 2003

Iraquianos exigem retirada dos EUA

Por Hassan Hafidh | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Dezenas de milhares de iraquianos participaram do maior protesto pós-Saddam Hussein em Bagdá, ontem, pedindo a retirada das forças dos Estados Unidos do Iraque. Carregando exemplares do Alcorão, esteiras de rezas e faixas, os manifestantes saíram direto das mesquitas para as ruas do bairro central de Aadhamiya.

“Deixem nosso país, nós queremos paz”, dizia uma faixa dirigida aos norte-americanos que tomaram o controle há nove dias, mas que não conseguiram conter os saques, os cortes de energia e o caos na cidade desde então. “Não a Bush, não a Saddam, sim ao islã”, dizia outra faixa.

Os organizadores da manifestação se autodenominam Movimento Unido Nacional Iraquiano e dizem representar tanto a maioria xiita quanto os sunitas muçulmanos do Iraque. Os xiitas, próximos aos líderes do Irã, foram marginalizados sob o governo sunita de Saddam e alguns iraquianos temem o surgimento de conflitos sectários. Uma das maiores colunas saiu da mesquita Abi Hanifah Nouman.

Sua cúpula foi bombardeada na guerra liderada pelos Estados Unidos. O imã Ahmed al-Kubaisi disse em seu sermão que os Estados Unidos invadiram o Iraque para defender Israel e negou que o Iraque possua armas de destruição em massa. “Essa não é a América que nós conhecemos, que respeita a lei internacional e respeita o direito das pessoas”, falou.

Seus seguidores saíram da mesquita depois das orações gritando slogans antiamericanos e brandindo faixas que diziam “não à América, não ao Estado secular, sim ao Estado islâmico”.

O Partido Baath de Saddam, que dominou o país por três décadas, era secular. Parados em volta de um caminhão-tanque que rodava pela rua, os homens, alguns de turbante e com longas barbas, cantavam: “nós somos irmãos sunitas e xiitas, nós não venderemos esta nação”.

Em Teerã, um influente clérigo xiita conservador pediu que as forças norte-americanas saíssem do Iraque. “Unam-se e mandem a América e a Grã-Bretanha para fora de seu país. É um dever da nação iraquiana”, disse o aiatolá Mohammad Emami-Kashani em um sermão transmitido ao vivo pelo rádio. Os Estados Unidos anunciaram que um general reformado norte-americano vai liderar um governo interino no Iraque.

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Imagens de Saddam

Dubai - A emissora árabe Abu Dhabi TV exibiu ontem imagens que afirmou ser de Saddam Hussein saudando uma multidão de partidários em Bagdá no último dia 9 de abril, mesmo dia em que a Capital caiu diante das forças norte-americanas.

Segundo a emissora estatal, as imagens foram feitas no distrito de Aadhamiya, no Norte de Bagdá, e a fita foi obtida por seu correspondente em Bagdá, de fontes não reveladas.

Um oficial da inteligência americana disse que os EUA vão analisar a fita para determinar se Saddam, que é o ás de espadas num baralho que mostra os iraquianos mais procurados pelas forças americanas, realmente sobreviveu às semanas de bombardeio implacável na Capital.

Várias fitas mostrando o líder iraquiano foram produzidas durante a guerra liderada pelos EUA, mas, como Saddam teria vários sósias, não se sabe se as imagens de fato são de Saddam. As imagens da fita mais recente, no entanto, corroboram o relato feito por um homem que afirmou ser ex-oficial do Exército iraquiano.

No início da semana, ele disse ter visto Saddam, no dia e mais ou menos no mesmo horário mencionados, diante de uma mesquita no mesmo distrito do Norte de Bagdá.

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