Camisinhas usadas, caixinhas de cigarro, copos, garrafas, comida, animais mortos e papéis. Esses são alguns dos elementos que fazem parte do trabalho diário dos varredores de rua de Bauru.
Os funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que trabalham no Centro, são testemunhas da falta de respeito das pessoas, que diariamente poluem as ruas da cidade.
“Jogam bastante lixo na rua, sim. Muitos deles não colaboram. Tem gente que passa perto do carrinho e joga no chão. Você pode estar varrendo que eles jogam na rua. O pessoal pega esses panfletos que ficam nos carros e jogam nas guias”, conta Francisco José Mariano Filho, chefe do Setor de Limpeza de Vias Públicas da Emdurb.
O varredor Ednilson Arcanjo também conta suas experiências. “Ontem mesmo eu estava varrendo e um rapaz pegou um monte de papel, amassou e jogou no chão, bem ao lado do carrinho. Você faz o quê? Isso aí é desaforo; pirraça”, avalia.
O varredor Domingo Ribeiro de Queirós diz que o ponto de maior acúmulo de lixo nas ruas é o Calçadão. As queixas dos funcionários são semelhantes. “Já aconteceu de eu estar trabalhando e as pessoas jogarem o lixo junto à vassoura, em vez de colocar no carrinho”, diz.
A experiência de Domingo nas ruas faz com que ele acredite que a instalação de lixeiras não seria suficiente para resolver o problema. Ele sugere fiscalização. “O que deveria mesmo é ter fiscalização. Assim melhoraria e educaria o povo”, opina.
Calçadas
A gerente de Limpeza Pública da Emdurb, Roberta Oliveira Lança, explica que os funcionários da Emdurb são responsáveis pela varrição diária do Centro.
Só o Calçadão é varrido três vezes por dia, em média. “Para manter limpo precisa varrer essas três vezes por dia. O trabalho não rende. Você acaba de varrer e logo depois está sujo de novo”, enfatiza a gerente.
Outro problema apontado por Roberta são as calçadas, cuja limpeza é de responsabilidade dos comerciantes ou moradores. Os funcionários da Emdurb são responsáveis apenas pelas guias e sarjetas.
“A gente dá uma varrida também nas calçadas. Mas é obrigação do comerciante varrer a calçada dele e mantê-la limpa. Alguns acham que é obrigação da Emdurb”, enfatiza.
De acordo com Roberta, o serviço não pode ser melhorado porque os funcionários gastam muito tempo varrendo as calçadas em frente às lojas.
Outro obstáculo, segundo a gerente, são os catadores de lixo, que prejudicam a limpeza das ruas. “Eles rasgam sacos de lixo e espalham sujeira pelas ruas. Cabe à gente limpar esse lixo e colocar novamente numa sacolinha. O caminhão não pega sacos muito rasgados e lixo jogado no chão”, expõe.
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Pontos de ônibus
Além do Calçadão, os pontos de ônibus são locais da cidade em que é gerado muito lixo. “Os varredores não vencem”, diz Roberta Oliveira Lança, gerente de Limpeza Pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Ela acredita que a falta de lixeira motiva a poluição das ruas pelos cidadãos. “O pior é que Bauru já teve lixeira e elas foram sendo retiradas aos poucos porque o vandalismo imperou”, conta.
Enquanto não há lixeiras, Roberta sugere que as pessoas aproveitem os cestos de lixo dos estabelecimentos comerciais para evitar jogar no chão.
O secretário interino do Meio Ambiente, Kazume Kobayashi, afirma que a Prefeitura de Bauru deverá comprar 100 lixeiras para instalar em pontos estratégicos da cidade - Centro, praças e avenidas Nações Unidas, Duque de Caxias e Getúlio Vargas.
Não há previsão de quando elas serão instaladas. O pedido de compra está sendo analisado no gabinete da prefeitura.
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Quintais são problema
Outro exemplo que reflete a negligência em relação às questões ambientais é o lixo acumulado nos quintais.
Apesar das campanhas feitas pela Prefeitura de Bauru, ainda há muitos casos desse tipo na cidade. A informação é de Flávio Tadeu Salvador, chefe do Núcleo de Controle de Vetores da Secretaria Municipal de Saúde.
“Todos os dias encontramos pneus, latas de tinta, potes de margarina e iogurte, frascos, garrafas de vidro e de plástico. As pessoas podem guardar o que quiserem dentro de casa, desde que isso não faça mal a ninguém”, expõe.
Moradores acumulam de 60 a 80 garrafas de refrigerante em condições inadequadas - sem tampa, por exemplo - alegando que um dia elas serão vendidas. “Se elas estivessem fechadas e guardadas, poderia até ficar na chuva. Mas ficam jogadas de qualquer jeito”, afirma Salvador.
Às vezes as mesmas residências apresentam problemas. “Ainda existe aquela cultura de deixar lixo no quintal. Muita coisa acumulada e que as pessoas não têm necessidade de guardar”, conta o chefe do núcleo.
Na opinião de Salvador, falta conscientização. “Muitas pessoas não permitem que a prefeitura retire o material de casa. Você pode até conseguir limpar, mas você volta depois de 30 dias e encontra a mesma situação”, diz.
Com os terrenos baldios, o problema é semelhante. De janeiro a abril deste ano, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) efetuou cerca de 6.500 notificações devido a problemas como lixo, entulho e mato alto nesses locais.
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Bom exemplo
Terezinha Imanish, moradora da Vila Cardia, é uma cidadã antenada com as questões ambientais e que dá o bom exemplo ao restante da população.
Varrer a calçada em frente à casa é uma tarefa que faz parte do dia-a-dia dela não apenas pelo bom visual, mas pela importância da limpeza da área pública. “É o dever de todo cidadão varrer e arrancar os matinhos. A gente que tem que manter em ordem e não esperar a prefeitura vir”, avalia.
Terezinha varre, mas não joga água na calçada. “Só varro com a vassoura. Minha calçada é lavada só quando chove. Eu não desperdiço água de jeito nenhum”, enfatiza.
A água utilizada para lavar a roupa é usada para a limpeza do quintal. Na casa de Terezinha, as plantas são molhadas com a água com que ela lavou as verduras.
Além de colaborar com o meio ambiente, Terezinha faz economia. O consumo da casa é inferior à taxa mínima cobrada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. “Eu reaproveito a água”, explica.
Para complementar, a moradora participa da coleta seletiva de lixo separando os materiais recicláveis para que o caminhão da prefeitura recolha semanalmente garrafas de plástico, latinhas e papel, entre outros produtos.