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A justiça e a paciência


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Quantas vezes clamamos por justiça. A virtude de dar a cada um o que lhe é devido, em conformidade com suas ações e intenções. Sabemos, entretanto, que nem sempre a justiça é feita. Estamos sujeitos a tantas situações em que falta vontade, falta empenho ou, às vezes, mesmo sendo demasiados não bastam. Acabamos quase enlouquecidos. Vem a revolta, a dor, a ira... Como é possível permanecer calado diante da injustiça? Como é possível aceitar pacificamente a perda de um direito, ou mesmo, de um ente querido?

O inconformismo só traz mais dor e constrangimento. Ficamos prostrados e abatidos. Não temos como erguer a face e encarar as pessoas que amamos. Sentimo-nos impotentes diante da sentença dos homens; às vezes, diante da sentença da própria vida. E agora? O que nos resta? Como conviver com esse sentimento de angústia e perda?

“... não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Javé; detica-te a Ele, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência” (Eclo. 2, 2-4.

É preciso dizer mais? Só a paciência pode fazer com que contemplemos a verdadeira justiça. Só a paciência fará com que, aos poucos, colhamos o fruto da nossa dor. Quase sempre é através do sofrimento que crescemos e amadurecimento. O desespero só serve para atemorizar nosso coração e encher de ansiedade o nosso dia-a-dia. Precisamos aprender a acolher os momentos difíceis que se nos apresentam pois, através deles, nossa vida se enriquece.

Pode ser que hoje você esteja enfurecido, vítima de alguma injustiça ou dor. Pode ser que lamente a perda de alguém muito precioso e que, no seu conceito, não deveria ter ido, mas permanecido entre nós. Talvez seus direitos estejam sendo pisoteados e seu desejo seja acabar com tudo, de uma vez por todas... Acalme seu coração. Somente a paciência fará com que possa descansar tranqüilo hoje e amanhã. Somente a paciência irá conduzi-lo seguramente para o logo mais, quando a justiça de Deus irá se processar. Somente a paciência irá trabalhar o seu coração, deixá-lo preparado para entender que a verdadeira justiça é imortal! (Sab. 1,15). (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga)

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