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Fim da Quaresma alivia penitentes

Da Redação
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Domingo de Páscoa, além de ser dia de comer ovo de chocolate, almoçar com a família e festejar a ressurreição de Jesus Cristo, é, para muitos, um dia de verdadeira libertação: o fim da Quaresma.

Isso significa, para muitas famílias católicas, poder deixar de se submeter às várias penitências que fazem para “participar” do sofrimento de Jesus na cruz. Carne, doces e bebidas alcoólicas são os itens mais escolhidos para o período de renovação da fé.

A funcionária pública aposentada Maria do Carmo Alonso Garmes, de 58 anos, escolheu, neste ano, abster-se dos doces. Por ironia, teve que viajar para a Bahia, onde “só tinha doce”. “Eu fui lá e era só doce, não podia nem degustar”, disse. “Mas eu trouxe uma cocadinha e vou comer hoje”, revelou ontem.

Ela acha que a penitência é uma forma de agradecer a Deus pela saúde e por tudo o que recebe durante o ano. Ela acredita que depois da Quaresma começa uma vida nova: “uma ressurreição mesmo”.

Um dos seus filhos, Aloisio Garmes Júnior, de 36 anos, aderiu à prática da mãe e conseguiu não tomar cerveja pelos 40 dias que separam o Carnaval da Páscoa. Já o marido dela, Aloisio Garmes, acha que não conseguiria. “Meu Deus, ficar 40 dias sem cerveja? Não dá!”

Missa diária

A penitência por que passou a professora aposentada Beatriz Venturini Gavaldão, de 58 anos, foi diferente das abstenções de anos anteriores. Ela se propôs a não participar de aperitivos, não tomar bebidas alcoólicas e assistir à missa todos os dias, desde a quarta-feira de cinzas. Mas confessou que foi difícil.

“Havia dias em que eu falava ‘não vou à missa’, parecia que tinha algo me impedindo, eu não tinha vontade. Mas no fim, eu ia”, disse, aliviada por ter conseguido. No último sábado, Beatriz tomou um copo de Martini como aperitivo antes do almoço.

O principal objetivo de qualquer penitência, para ela, é o enriquecimento interior. “Não se deve fazer por troca, como uma promessa. O objetivo é melhorar o seu interior, ficar mais próximo de Deus”, afirmou. Beatriz lembra que os padres dizem para os fiéis sentirem se o alvo da penitência era realmente necessário e, se não for, absterem-se para sempre.

Foi o caso de Flávia Ferreira. Há sete anos, durante a Quaresma, deixou de comer carne vermelha e continua assim até hoje. “Isso não me fez falta”, disse a estudante de 20 anos. Com a mãe de Flávia, a corretora de imóveis Juliê Ferreira, de 41 anos, aconteceu a mesma coisa, só que com bebidas alcoólicas.

Tradição

A principal marca da Quaresma ainda é a tradição, com os rituais passando de pais para filhos. Muitas famílias, como a da dona de casa Doride Cassis da Silva, de 69 anos, sempre praticaram a penitência. “Para mim é normal, eu sempre fiz isso”, explicou.

Ela lembra que os padres diziam para, a partir dos 7 anos de idade, os fiéis se punirem durante a Quaresma. E ela seguiu. Todos os anos, escolhe algo de que sente falta para se abster. Em 2003, as escolhidas foram carne e bebidas alcoólicas. “Sinto que, se eu comer, parece que estou traindo alguém”, justificou.

Hoje em dia, a Igreja Católica já não é mais tão severa quanto a esses costumes. Alguns padres dizem, por exemplo, que não é mais proibido comer carne na Sexta-Feira da Paixão (como manda uma forte tradição católica), já que o preço do peixe, que geralmente substitui o alimento, está muito alto.

Doride sabe das mudanças, mas não deixa de seguir a tradição. “Eles já liberaram, mas a minha consciência diz que eu tenho que fazer.”

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