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Sim, mas para onde?


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Embora muito bem aquinhoados pela bondade da natureza com território equivalente aos nossos enormes Amazonas e Pará, estão os iraquianos tristemente flagelados em seu país, porque as tropas da poderosa coalizão anglo-americana, procurando localizar os nababescos palácios onde poderiam estar se homiziando Saddam Hussein e seus assessores, acabaram encontrando e bombardeando as moradias de milionários, ricos, remediados, pobres e paupérrimos, efetuando então uma destruição praticamente total. E não ficaram só nessas bravatas os soldados invasores, atacando, inclusive, hospitais, farmácias e supermercados, uns e outros jogados inapelavelmente ao chão poeirento. Por isso, estão os indefesos habitantes de Bagdá e demais cidades grandes do Iraque sem ter onde morar, hospitalizar-se, adquirir remédios para suas feridas e comida para seus estômagos vazios. Nada disso desmentem as imagens das televisões, que se incumbem de assombrar largamente o resto do universo, Brasil incluso, com o terror de suas cenas tão cruéis. E não podem deixar de impressionar porquanto - diga-se - qual coração deixaria de se condoer vendo aqueles irmãos passando fome, frio, dores e privados do trabalho que os sustentava até que os canhões fossem aterrissados em suas portas? Coitados, estão desprovidos de tudo! Não conseguem nem dormir! E quando se lhes pergunta se têm onde se acobertar da intempérie respondem, chorando, como os apóstolos que ali viveram nos primeiros tempos: “Teríamos, mas aonde? Acaso nos sobrou algum espaço para isso? Estariam as estreladas nuvens do horizonte à nossa inteira disposição? Impossível ou difícil saber-se, num país como este que, tendo muito para construir, é sacudido agora pela fabulosa obrigação de reconstruir urgentemente tantas cidades com milhões de lares demolidos e acudir milhares de mortos e feridos caídos nas ruas. Realmente, ir para onde? Qual caminho tomar? Onde localizar os alimentos que tínhamos armazenado, foram queimados em minutos pelas bombas e transformados em pó? Onde voltar a achá-los se nem Saddam Hussein se consegue encontrar?” - desabafam, entoando o Cântico do Advento, que diz: “Vinde, Senhor, acender as estrelas que o egoísmo apagou. Vinde semear as esperanças nos campos onde ela secou. Vinde vencer os soberbos em seu trono instalado. E devolver aos que sofrem seu trabalho denodado. Vinde como luz de aurora, depois de noite tão longa, iluminar todas estradas onde os homens se ignoram. Vinde, de novo Senhor, nascer nesta terra pobre, neste chão sem amor, onde a verdade não chove!” e ponto final. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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