Polícia

Tobias quer empregar interno da Febem

Por Ieda Rodrigues | Colaborou Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) quer organizar uma campanha para empregar os adolescentes ao saírem da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru. A proposta é conseguir as vagas através do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Regional Bauru e, assim, reduzir as chances dos adolescentes voltarem a cometer crimes.

Após visitar a Febem de Bauru, na semana passada, Tobias anunciou que vai contratar o primeiro adolescente que sair da unidade. “Vou contratar para trabalhar em meu escritório, para fazer serviços administrativos. Faço um apelo ao empresariado de Bauru que também contrate. Vou procurar o Ciesp para tentar organizar uma campanha neste sentido. É a nossa parcela de contribuição”, afirma.

Ontem, a Febem de Bauru, que já registrou fugas e rebeliões, abrigava 72 adolescentes, exatamente o número de vagas da unidade. José Luiz Miranda Simonelli, diretor do Ciesp, acredita que é possível o órgão encabeçar uma campanha para empregar os adolescentes saídos da Febem, mas ressalta que eles precisam estar qualificados para o mercado de trabalho.

Simonelli explica que sem qualificação, os adolescentes poderão ser discriminados dentro das empresas por não saberem executar as tarefas. “É um projeto possível desde que os meninos estejam preparados para a atividade profissional que vão executar. A própria Febem deve preperá-los, oferecendo cursos profissionalizantes enquanto eles estão internados”, diz.

Para Evaristo Gonzalez, que representa a comunidade no conselho gestor da Febem, não é tão fácil conseguir emprego para os adolescentes que cometeram crimes e estiveram internados. “Concordo que a comunidade tem que assumir o problema do adolescente infrator, mas será que um adolescente saído da Febem seria bem recebido pelos demais funcionários da empresa?”, questiona.

Ele afirma que a proposta do deputado Pedro Tobias é válida, mas acha que é mais fácil os adolescentes saídos da Febem arrumar emprego como autônomos se estiverem qualificados. “Defendo a realização de cursos dentro da Febem, para que o menino possa prestar serviço de encanador, eletricista, pedreiro, quando sair”, diz.

A unidade de Bauru, lembra Gonzalez, oferece atualmente curso de panificação. “A Escola de Panificação de Bauru deu treinamento a dois monitores da Febem, para que eles repassem aos meninos as técnicas de panificação. Lá eles têm equipamentos, apesar de meio precários, para dar o curso”, afirma.

Gonzalez conta que o Senai, visando a formação profissional dos adolescentes, doou à Febem quites com equipamentos necessários para oferecer cursos de eletricista de residência, encanador e pedreiro. Ele frisa, porém, que não estão sendo oferecidos cursos nessas áreas por falta de monitores. “Estamos tentando viabilizar, através da verba do Fundo da Criança e Adolescente, a contratação de professores”, explica.

A assessoria da Febem informa que na unidade de Bauru são oferecidos cursos de panificação, informática e artesanatos. A Febem vê com bons olhos a realização de uma campanha junto aos empresários para empregar ex-internos.

A preocupação com a inserção dos menores no mercado de trabalho levou o Estado a anunciar a contratação de ex-internos para trabalhar em escolas públicas - como monitores de biblioteca e informática. Através da iniciativa, 2 mil vagas foram criadas. Porém, após o anúncio do governo do Estado, 30 empresas de São Paulo seguiram o exemplo e disponibilizaram outras 1.000 vagas de emprego.

Portanto, no total, existem 3 mil vagas sendo oferecidas no Estado para internos das 68 unidades da Febem. A assessoria não soube informar se existem empresas do Interior entre essas 30, mas garantiu que as vagas vão contemplar menores de todas as unidades.

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Visita

Os vereadores João Parreira (PSDB) e Faria Neto (PDT), membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, visitaram a Febem de Bauru na última quinta-feira acompanhados do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).

Além de conhecer a unidade, os parlamentares tinham como objetivo levantar se os internos são da região e se existia a possibilidade de menores de Franco da Rocha serem encaminhados para cá. A transferência de internos perigosos foi descartada pela diretora Maria Aparecida Bien, que mostrou-se muito receptiva, segundo Faria Neto.

As instalações impressionaram os vereadores e o deputado, que saíram satisfeitos com o que viram. Desde março, eles solicitavam a visita, pedido que foi reiterado na audiência com o presidente da Febem. “O Estado está dando toda a condição de recuperação para os menores, que estudam regularmente e cursam outras atividades como música, por exemplo”, diz Faria Neto.

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