Ao ensejo do lançamento, na semana passada, de sua campanha “luta contra a pobreza urbana”, o chefe do governo verberou a tentativa, que ora se empreende, visando à pulverização das verbas orçamentárias destinadas à área. Entende ele que, posto nessa órbita, o dinheiro agendado na campanha acabará não atendendo as pessoas ou famílias mais necessitadas do País, fugindo, então, do objetivo governamental que é o de mudar os rumos da caminhada administrativa federal no importante setor social, para o que é preciso unificar os programas ministeriais e, conseqüentemente, chegar à pacificação das disputas de recursos que possam ocorrer entre ministros, caso do titular da Segurança Alimentar, José Graziano, acusado de investir os braços sobre outras pastas, entre elas a do Atendimento à Família, que seria da competência de Benedita da Silva, da Promoção Social; Cristovam Buarque, da Educação, que deseja concorrer com o Fome Zero quanto ao apoio empresarial para o Analfabetismo Zero, figurando também no rol Olívio Dutra (Cidades) e Jacques Wagner (Trabalho), cada qual com os olhos voltados para outros horizontes. Considera o presidente que a administração não pode aceitar tendências divisionistas de subalternos, pois a marca da assistência devida à pobreza pertence à sociedade no seu todo. Só por isso, realça Sua Excelência energicamente: “Não devemos ter no governo 500 políticas sociais diferenciadas e, sim, uma com finalidade específica”. Face a tanto, qual a resposta que lhe caberia prontamente? “Vamos lá, presidente, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, eis que se 500 seriam demasiado, uma seria extremamente pouco!” Então, há que se analisar arraigadamente a idéia dos ministros, secretários e prefeitos, que aspiram melhor distribuição dos dinheiros que venham a ser consignados para o Fome Zero. O tema é polêmico, cabendo ver se ele não estaria sendo levado para o terreno político ao invés do campo das necessidades que tanto martirizam muitas pessoas. “Combater a pobreza será muito mais fácil no dia em que conseguirmos transformar a fome política em um problema social” - frisou o governante. É também a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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