“Eu, Valdecir Antonio Prado, sou morador do Núcleo Gasparini, microempresário do setor de divisórias e amante de uma boa pescaria. Esse aí da foto sou eu há, aproximadamente, uns 10 anos. Para os que me conhecem, sei que será difícil me reconhecer, pois em dez anos mudei bastante, quer dizer, fiquei um pouco mais robusto e passei a cultivar uma barbicha. Mas para aqueles que olharem bem, saberão me reconhecer, como reconhecerão verdadeira a história que vou relatar, referente à foto, onde estou segurando dois portentosos peixes. Vamos aos fatos.
Morei no Mato Grosso do Sul por uns três anos, em Campo Grande, e de lá saía regularmente para pescarias com amigos, nos mais diferentes rios da região. Era um divertimento só. Dessa feita, estava reunido com um grupo de amigos, no rancho Córguinho, na cidade do mesmo nome, onde passa o majestoso rio Aquidauana. Ficamos por lá alguns dias e a pescaria foi das mais animadas. Os peixes que orgulhosamente consegui fisgar foram dois pintados, mais precisamente, um cachara e um surubim, ambos de bom quilate.
Mas o que quero contar não é muito fácil de começar, pois tem gente que não acredita nessas coisas acontecidas na beira de um rio, ainda mais quando juntam-se muitos amigos, regados a muita cerveja. Mas como não costumo mentir, sendo muito sério em tudo o que faço, ponho a mão no fogo, como tudo o que contarei é a mais pura verdade.
Naquela tarde, estávamos pescando com anzol de galho e havíamos conseguido algum sucesso, mas nada muito significativo. Esses dois peixinhos aí da foto estavam conseguindo driblar todo o grupo e não havia meio de conseguir retirá-los do rio. Eles já haviam se mostrado, sabíamos que estavam por perto, mas nada de cair em nossas armadilhas. Ficaram nos ludibriando o dia todo, com a turma toda já cansada e resignada, pois estava difícil a missão de tirar os bichinhos da água.
Final de tarde, já meio desanimado, fui até o banheiro, que aparece aí na foto, e qual não foi minha surpresa, encontrei os dois peixes, também cansados, fazendo suas necessidades no referido banheiro. Fiquei de tocaia e, na saída dos dois, armei uma armadilha para fisgar os bonitinhos. Obtive sucesso, pois não conseguindo o meu intento pelas vias normais (pescando-os dentro do rio), fui encontrá-los num área onde eles não conhecem muito, que é a terra.
Foi na base do balaio, quer dizer, joguei um balaio sobre os dois e conquistei o troféu da pescaria. Quando os outros retornaram do rio, não acreditavam no que estavam vendo, mas lá estava eu, de banho tomado, com os dois já em cima da mesa. Não contei como tudo se sucedeu, o que só faço agora. Não é nada que me envergonhe, pois se não pesquei de uma forma, pesquei de outra. Foi assim...” (Valdecir Antonio Prado é pescador e contador de histórias)