Estão perdendo as cidades grandes, outrora tão pacíficas, tão boas de se viver, a segurança exigida por suas populações. E se tem que dizer segurança de todos os tipos e, igualmente, seus diversos estilos. Conseqüentemente, os que ainda não sentiram na carne malefícios diretos ou indiretos da situação emergente, pois não sofreram qualquer gênero de agressão física ou material na via pública ou em sua indefesa moradia, pode vir a sentir o problema entrando em contato com os meios de comunicação, nos quais figuram, a todo instante, ocorrências correlatas, totalmente indesmentíveis. São seqüestros alcançando pessoas de ambos os sexos e quaisquer idades, surpreendendo até crianças e adolescentes. Estão aí assassinatos de juízes e promotores de Justiça e autoridades policiais nas horas cinzentas dos muitos pontos nevrálgicos do grande País. São, também, furtos e roubos atingindo empresas e residências, como o são, em pé de igualdade, veículos de todos os naipes, sejam de transportes de mercadorias ou automóveis em geral, último modelo e até mesmo antigos ou antiquíssimos. Logicamente que deixar carros em determinados lugares, em artérias comerciais, para alguns minutos de “papo” ou compra, é como que desconsiderar o valor do bem que custou um dinheirão para ser removido da loja ou da respectiva revenda. É evidente, então, que desapareceram, lá no longínquo ocaso do enorme cenário urbano, os gloriosos tempos em que a vida do brasileiro era verdadeiramente, como se costumava dizer, totalmente risonha e franca... Nada a fazia preocupar a qualquer hora, sob o clarão do rei Sol ou da luminária da rainha Lua. Hoje, a comunidade não usufrui mais daquela tranqüilidade nem no recesso de suas casas, que são invadidas, roubadas e depredadas, ainda que bem protegidas.
E a problemática vai chegando aos limites das cidades menores, onde as ocorrências do gênero começam a se registrar repetidamente. Na nossa querida Bauru, felizmente, ainda não se tem muito a lamentar, mas não se pode afirmar que ela nada tenha no seu palco. Já assinala algumas coisas e vai preocupando as autoridades, receosas de que elas ganhem corpo, vitimem muita gente e lhes aumentem os riscos de vida em função de seu tipo de trabalho diuturno, especialmente o bancário que, tanto quanto muitos outros setores, reclama medidas preventivas não só empresariais como dos órgãos públicos. Trabalhar é preciso, e aí está algo que não pode ser deixado estaticamente. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)