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Onda Verde em avenidas é inviável

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Depender do trânsito bauruense para chegar rápido a um local não é tarefa das mais fáceis. Além dos famigerados buracos, capazes de esgotar a paciência de qualquer um e provocar danos sérios aos veículos, não há quem não se irrite com o tempo gasto em semáforos nos cruzamentos de muitas vias da cidade.

Para minimizar aborrecimentos do gênero e melhorar a fluência no trânsito, municípios como Londrina (PR), a 270 quilômetros de Bauru, e Jaú, a 50 quilômetros de Bauru, investiram na malha viária para implantar a Onda Verde, sistema que consiste basicamente na defasagem programada dos sinais semafóricos.

Em Bauru, apesar da Onda Verde já funcionar em algumas ruas centrais, nos locais onde o tempo perdido nos semáforos é mais incômodo aos condutores - nas avenidas Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Nações Unidas - a chance de ter o sistema instalado é nula.

A razão, segundo o engenheiro Aníbal dos Santos Ramalho, gerente de operações do Departamento de Sinalização Viária (DSV), é geográfica.

Ele explica que só é possível implantar tal sistema em vias preferencialmente de mão única e cujos quarteirões são longos - cerca de 300 metros. “Em avenidas, dependendo da extensão das quadras, não é possível fazer. A Rodrigues Alves e a Duque de Caxias são exemplos disso, pois a maioria dos seus quarteirões é de 100 metros”, diz.

Quadras mais longas, acrescenta ele, permitiria, por exemplo, a abertura do sinal verde durante 30 segundos, o que possibilitaria ao motorista superar vários cruzamentos. “Mantendo uma velocidade de 30 a 40 quilômetros por hora ele pegaria os semáforos abertos”, sustenta o engenheiro.

Também pesa contra a adoção da Onda Verde nas principais avenidas bauruenses o fato de todas serem cortadas por vias perpendiculares. “Elas atrapalham porque têm um fluxo intenso de tráfego, que ficaria estrangulado se o sistema entrasse em operação”, afirma.

Ramalho enfatiza que a questão financeira não seria um empecilho, uma vez que a implantação da Onda Verde não demanda um investimento tão vultoso.

“No final de 2002, adquirimos sete controladores - ao custo total de cerca de R$ 50 mil - para operar o sistema, que exige dos semáforos a capacidade de fazer a defasagem programada e a comunicar-se com os demais que estão interligados”, considera ele.

Sincronização

Ramalho esclarece que outra justificativa para tempos tão longos nos sinaleiros das avenidas Duque de Caxias e, principalmente, Rodrigues Alves são os pedestres. “Nesta o vermelho permanece entre 45 e 50 segundos para propiciar que os transeuntes atravessem a via com tranqüilidade em um período estimado entre 16 e 18 segundos”, argumenta ele.

Em ambas as vias a maioria dos semáforos opera no sistema que propicia a mudança sincronizada das fases dos sinais. “Muitos o confundem com a Onda Verde, mas ele é diferente. Nele, por exemplo, se três faróis estão vermelhos, o trio abrirá o verde ao mesmo tempo”, ressalta o gerente de operações viárias.

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