Em reunião concorrida na sede do partido, o PFL decidiu ontem sugerir à Câmara Municipal e ao Judiciário de Bauru o afastamento temporário do prefeito Nilson Costa (PPS). A militância pefelista, comandada pelo vice-prefeito Dudu Ranieri, acha que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) instalada para investigar o escândalo da carne paga e não recebida pela prefeitura só conseguirá uma apuração séria e transparente se o chefe do Executivo estiver fora do cargo.
A “sugestão” será encaminhada amanhã, através de um manifesto subscrito por membros da legenda, o qual faz críticas contundentes a atitudes recentes de Nilson Costa. Em uma delas, os pefelistas atacam o fato de o prefeito ter se valido de uma matéria paga (publicada dia 17 no Jornal da Cidade) para apresentar defesa no caso da carne.
Enquanto partido legalmente constituído, o PFL poderia por si próprio solicitar judicialmente a saída de Nilson, mas a cúpula pefelista deixa claro que quer ser mera “espectadora” nesta história. “Na época do Izzo (ex-prefeito que chegou a ser afastado do cargo enquanto sua administração era investigada), eu encabecei movimentos e dei a cara para bater, mas acho que, por ser interessado direto numa eventual cassação do Nilson, devo ficar de fora agora. Quero que os fatos aconteçam naturalmente”, justifica Dudu Ranieri.
A executiva do PFL considera o afastamento do prefeito “muito mais racional” do que o de secretários. Na última quarta-feira, os membros da CEI da Carne requisitaram a saída de Raul Gomes Duarte Neto, Isabel Algodoal, Luiz Freitas e Luiz Pegoraro, titulares das pastas de Finanças, Educação, Administração e Negócios Jurídicos, respectivamente. “Se sai o prefeito, saem os secretários por conseqüência”, simplifica o presidente do PFL bauruense.
Caso Paquito
O diretório do PFL volta a se reunir hoje, a partir das 10h30, para discutir a posição do partido em relação ao vereador Osvaldo Paquito (PPS), cujo mandato poderá ser cassado depois de amanhã, em sessão de julgamento. O assunto entraria na pauta da reunião de ontem, mas Paulo Eduardo Martins, único representante do PFL na Câmara, pediu que a data fosse alterada.
Hoje, entretanto, os pefelistas deverão apenas ratificar uma prévia informal realizada ontem e que, por unanimidade dos presentes, deliberou pela cassação do parlamentar.