Eu devia ter uns sete anos quando ouvi pela primeira vez o aforismo que dizia ser a pressa a inimiga da perfeição. Estava na fila do refeitório de uma colônia-de-férias em meio a uma algazarra ensurdecedora mas aquelas palavras pousaram em meus ouvidos de uma forma especial; vieram revestidas de um toque diferenciado e mágico de tal forma que aquele momento fixou-se indelevelmente em minha consciência. Intuí que as palavras poderiam conter algo mais que meras mensagens expeditas; poderiam conter vida e ensinamentos passíveis de ser transmitidos aos entendimentos interessados.
Anos depois, lendo um artigo escrito na revista Logosofia, encontrei certas palavras que me fizeram revisitar aquele momento da infância. Dizia o autor que “a pressa é também outra característica negativa do caráter em formação. Tudo se quer fazer quando ainda mal se pensou, sem preocupar-se com as conseqüências; o resultado é, quase sempre, um fato adverso que produz no ser amargos momentos, pois não se deve apressar uma decisão antes que ela seja respaldada pelo concurso da análise de cada uma das circunstâncias que concorrem para determiná-la.”
Refleti que não basta que o jovem tenha na mente certos aforismos como “a pressa é inimiga da perfeição” ou “mais vale prevenir do que remediar”. É necessário que o jovem aprenda a realizar o conteúdo desses aforismos ao invés de ir trombando pela vida com as dificuldades que estão em sua própria mente e que ele mesmo poderá superá-las com sua vontade e a orientação daqueles que aperfeiçoaram a própria conduta pessoal neste grande campo experimental que é a vida.
Naquele mesmo artigo, González Pecotche falava da importância de “preservar o espírito, tal como se faz com o corpo, de toda a contaminação perniciosa”. E apontava algumas tendências do temperamento juvenil que deveriam ser neutralizadas para evitar a mencionada contaminação como a intolerância com o critério alheio, a falta de controle sobre as próprias reações psicológicas, a superestimação de si mesmo e a falta de camaradagem ou fraternidade.
A superação das mencionadas dificuldades tão comuns à generalidade das pessoas favoreceria o bem-estar próprio e social. (Nagib Anderáos Neto - www.logosofia.org.br - funlogsp@uol.com.br)