Regional

Menor é morto na Febem de Marília

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

Marília - Um adolescente da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Marília (105 quilômetros a Oeste de Bauru) foi morto por outros internos na manhã do último sábado em um dos alojamentos da unidade. P.R.V.B., 15 anos, foi amordaçado e em seguida estrangulado com uma camiseta.

O adolescente era morador de Marília e havia sido internado há cerca de duas semanas, acusado de assassinar o pai.

Segundo o delegado titular do 4.º Distrito Policial, Wilson Carlos Frazão, no momento do crime, o menor estava com outros cinco internos em um dos quartos da unidade, conhecido como “seguro”, onde são isolados os infratores que correm algum risco ou são ameaçados por outros adolescentes. “Nenhum deles era tolerado e aceito pelos demais internos. Por vários motivos, por causa do tipo de crime que eles praticaram, ou porque são acusados de ser delatores”, afirma o delegado.

Segundo depoimento prestado por um dos acusados à polícia, para se firmar perante os outros internos, o grupo decidiu que teria que realizar um ato de impacto e planejou matar o adolescente. “Eles queriam se firmar diante do grupo.”

Os acusados teriam agido rapidamente, após o café da manhã. Minutos depois do crime, um dos internos teria denunciado o fato a um dos funcionários.

Dois acusados que são maiores de 18 anos, Claudinei Lemes Rosa e Luís Antonio Martins, foram autuados em flagrante por homicídio doloso. Até ontem, continuavam internados na Febem, aguardando a decisão judicial para serem transferidos.

No caso dos menores, foi realizado um ato de apreensão e o caso também foi encaminhado à Justiça. “Possivelmente, eles devem receber uma pena para ser cumprida na própria unidade”, afirma o assessor de comunicação da Febem, Joaquim Maria Botelho.

Segundo o assessor, uma das versões levantadas sobre a causa do assassinato é a de que os internos teriam tentando fazer justiça, porque o garoto teria assassinado o próprio pai. Outra justificativa seria de que os adolescentes queriam “demonstrar poder”.

Botelho afirma que os menores serão isolados na unidade e a segurança em relação a eles será reforçada.

O diretor da Febem de Marília, Luiz Carlos Xavier, não foi localizado pela reportagem para comentar o episódio.

Modelo

Segundo o assessor de comunicação da Febem, esse foi o primeiro homicídio registrado na unidade de Marília, inaugurada em setembro de 2001.

Com capacidade para 72 vagas, o local comportava no momento do crime 65 internos. A unidade é considerada modelo no Estado e nunca registrou fugas ou rebeliões, segundo a assessoria.

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