Regional

Cemitério tem peças de bronze furtadas

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos – Cinqüenta e quatro pecas de bronze foram furtadas do Cemitério Municipal de Agudos (15 quilômetros a Sudeste de Bauru) na madrugada de segunda-feira. O acusado pelo furto, Abraão José da Silva, 52 anos, e o receptador do material, Dario Cardoso de Menezes, 54 anos, foram presos pela polícia ontem.

Silva teria furtado do local crucifixos, plaquetas e vasos de bronze, que ornamentavam as sepulturas e transportando as peças com uma carriola.

Após a comunicação do fato na manhã de segunda-feira, as polícias Civil e Militar de Agudos, em operação conjunta, efetuaram diligências pela cidade e conseguiram localizar o acusado.

Segundo o delegado titular de Agudos, Paulo Calil, durante interrogatório, Silva confessou a autoria do crime e delatou o receptador do material, Dario Cardoso de Menezes.

Menezes é proprietário de um bar na Vila Vienense e mantém nos fundos do estabelecimento um depósito de sucatas, localizado na rua Alfredo Pauleti. No local, a polícia encontrou o material roubado. “Alguns deles já achavam-se amassados e prontos para serem revendidos para outro comerciante de Bauru”, afirma o delegado.

Calil não quis divulgar o nome do comerciante suspeito até que as investigações sejam concluídas.

Menezes foi autuado em flagrante por receptação qualificada. O crime, de natureza inafiançável, tem pena de três a oito anos de reclusão. Silva foi indiciado por furto e responderá à pena de um a quatro anos de prisão. Ambos foram conduzidos à Cadeia Pública de Agudos.

As peças de bronze foram encaminhadas ao administrador do cemitério para serem repostas. Um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso.

Denúncia

O delegado descarta a possibilidade de atuação de uma quadrilha na cidade. Segundo Calil, a última ocorrência dessa natureza foi registrada no ano passado e já está esclarecida.

Ainda sim, o delegado pede que a população entre em contato com a polícia ao avistar na cidade caminhões que comprem sucata. O objetivo é que eventuais transportadores de produtos furtados, como cobre, possam ser detidos. O telefone para denúncias é o (14) 3261-1101.

Indignação

A moradora de Agudos Conceição Ieda Soares Paulete, 60 anos, mostrava-se indignada com o episódio do furto ao cemitério. “Está todo mundo horrorizado. Você arruma um túmulo e enfeita tudo e eles vão lá roubar. Aqui em Agudos eles não estão respeitando mais nada, nem a memória dos mortos”, lamenta. No dia do furto, foram levados dois vasos de bronze de túmulos de seus familiares.

J., de 57 anos, que preferiu não se identificar por medo de represálias, afirma que os roubos ao cemitério da cidade vem ocorrendo há anos. Ela, que visita diariamente o túmulo do marido e da filha, diz estar abalada com a situação. “Não são os vasos ou o valor daquilo que me abalou. Mas sim o desrespeito de ficarem mexendo no cemitério.”

Dos túmulos da família de J. foram levados dois vasos de bronze e placas de identificação. Ela afirma que os ladrões já chegaram a levar até mesmo a imagem de santos do local. “A gente fica muito triste. Você cuida com tanto carinho dos túmulos. Afinal, são pessoas que você amou, que você ama ainda”, desabafa.

O morador da cidade, Edgar Bacelar Soares, 55 anos, afirma que o túmulo de várias famílias foram agredidos. Ele cobra soluções para o problema que, já teria ocorrido outras vezes. “Eu vejo isso como uma barbaridade e uma falta de atenção das autoridades em relação ao assunto.”

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