Não ignoram os cultos, aqueles que se dedicam ardorosamente ao perlustre das páginas dos dicionários de outros idiomas, que a palavra ciúme procede do grego. Isto mesmo, derivado da velhíssima Grécia. Fácil é, então, para essa vasta legião ficar conhecendo os significados etimológicos da expressão. Contudo, de que forma a maioria, que desconhece a curiosa língua dos gregos, consegue chegar aos seus vários sinônimos e pôr-se sob sua inteira definição, de maneira a poder usá-los nas suas necessidades culturais? É o que perguntam os filólogos, os quais sabem que o termo, tão usado em situações as mais diferentes, significa várias coisas, entre as quais inveja, rivalidade, emulação, ardor e ebulição. Ciúme seria então tudo isso e, de contrapeso, “o céu também”... Porém, a questão avança mais na cabeça de muitos entendidos ou tidos como tal. Citaríamos, abrindo a relação, Eleutério Bojebelle, que se destacou, ocasionalmente, explicando que “ciúme é o misto de um amor exclusivo para com uma pessoa, à qual se está vinculado afetivamente, com o temor de que outros lhe tirem essa posse”. Dá para entender? Presumivelmente, pode dizer-se. Para Spinosa, porém, “ele é a preocupação que se tem para conservar aquilo que se adquiriu e se deseja gozá-lo efetivamente”, completando-se o intelectual ao definir que “o ódio, por seu turno, é coisa amada, acrescida pela inveja, face ao que se chama de ciúme”, donde parte a idéia de que, uma vez ódio, ele pende para a violência, da qual resulta grande parte dos homicídios à sombra dos quais há homens e mulheres que destróem seus rivais. Sobre suas conseqüências, diz Aníbal Vilaverde, que os ciúmes em caso algum constituem emoções positivas, estando perto da inveja que conduz a atos lamentáveis, como reflete a mídia, diariamente, em seu noticiário especializado, destacando assassinatos e agressões de todas as formas, não só em favelas como nas altas rodas da sociedade, onde a imaginação dos que amam nem sempre se revela como sinal de um acenante lenço de amor. Seria também assim até mesmo o ciúme das crianças para com os pais, irmãos e colegas. Qual a conclusão lógica? Que todos quantos amam necessitam saber o que sejam amor e ciúme para que possam desfrutar deles na exata medida. E de maneira ideal. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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