A partir do dia 20, o Hospital Estadual (HE) de Bauru vai disponibilizar 168 novos leitos para atender adultos e crianças. Atualmente, são 41. Além de quadruplicar a capacidade, a unidade de tratamento intensivo (UTI) e a unidade de emergência referenciada clínica também passarão a funcionar. Com essa estrutura, o hospital terá como realizar 150 cirurgias não emergenciais por mês - atualmente, a média é de 30.
A UTI vai contar com 11 vagas para pacientes infantis, 11 para adultos e mais nove para quem tem problemas coronarianos. Já a unidade de emergência referenciada, que atuará como retaguarda para os hospitais da região na área de urgência, oferecerá 12 leitos para observação de adultos, seis para crianças e três para casos de emergência.
O anúncio foi feito ontem pelo diretor executivo do HE, Emílio Curcelli, que na companhia do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e do diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, reuniu a imprensa. Durante entrevista coletiva, eles ainda divulgaram a queima de etapas na implantação da infra-estrutura física do hospital.
Se os gestores do hospital se limitassem a cumprir a meta estabelecida junto à Secretaria do Estado da Saúde, todos esses serviços seriam oferecidos apenas em setembro. Apesar da antecipação dos atendimentos, a diretoria do HE não prevê a realocação de recursos, pelo menos neste semestre. O governo do Estado se comprometeu a investir R$ 22 milhões no hospital em 2003.
“Vamos gastar menos dinheiro agora, mas depois a previsão é despender mais. Talvez seja necessário um reforço de caixa para o segundo semestre. Como tem investimento, vontade política, capacidade técnica e necessidade, queremos dar uma resposta à população que necessita do serviço”, explica o diretor executivo do HE, Emílio Curcelli.
Déficit
Caso as expectativas sejam alcançadas, o HE terá como diminuir o déficit de internações mediante agendamento para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), suspensas pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) desde o último dia 17.
A AHB, que mantém os hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel, interrompeu os atendimentos sob a alegação de ter internado além da cota acordada com o Ministério da Saúde, que lhe deve R$ 2 milhões.
Simultaneamente, o total de cirurgias não emergenciais realizadas pelo HE permanece 60% aquém da capacidade. A meta de operações fixada atualmente é de 80 operações mensais, contudo apenas um média de 30 pacientes são submetidos ao procedimento.
Quando o contra-senso foi divulgado pelo JC, há pouco mais de uma semana, a diretoria do hospital não soube precisar as razões que levam à ociosidade do centro cirúrgico. Ontem, porém, Curcelli e Viviani apontaram a dificuldade no fluxo de encaminhamento médico ao HE como a causa da ociosidade e explicaram como será feito o encaminhamento para cirurgias a partir de agora. (veja quadro). Eles também concordam que a Central Reguladora de Serviços (CRS) poderá equacionar o problema.
Conforme o JC publicou, a CRS passou a vigorar com a atribuição de controlar o fluxo e o agendamento de cirurgias não emergenciais do SUS.
“A CRS era para funcionar regulando exames de alta complexidade, mas como percebemos a dificuldade, surgiu a necessidade de fazer uma adaptação para que a situação fosse resolvida. Faremos ainda uma busca ativa por pacientes, ou seja, analisaremos a lista de pacientes que esperam por operações”, explica Viviani.
Assim que a dificuldades for superada, Curcelli não exclui a possibilidade do hospital promover um “mutirão” para reduzir a demanda em algumas especialidades.
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Só 23 procuram CRS
Desde que foi criada há dez dias, a Central Reguladora de Serviços (CRS) foi procurada por 23 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, 14 tiveram a cirurgia cancelada devido à suspensão do atendimento determinado pela AHB. Quem informa é o diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, que ainda não dispõe dos números referentes à demanda total por operações em Bauru e região.
De acordo com ele, a partir de segunda-feira, esses pacientes serão comunicados, por telefone ou através da visita de uma assistência social, que têm agendamento com especialistas do Hospital Estadual (HE).
“Por enquanto, a ação está sendo conduzida pela Ouvidoria. O sistema tem que ser controlado. A idéia é disponibilizar a lista de espera por cirurgias não emergenciais pela Internet. Assim, o paciente pode monitorá-la. Apesar do esforço, a demanda não será suprida em um mês ou uma semana”, esclarece o diretor.
Ainda segundo Viviani, a prioridade é fazer a identificação de casos na área de otorrinolaringologia e pediatria, onde a demanda reprimida é maior. Seus cálculos indicam que aproximadamente 500 e 230 pacientes com problemas nessas especialidades, respectivamente, aguardam na fila.
“A idéia é que o HE assuma as cirurgias eletivas. Já a vocação do Hospital de Base (HB) é para o tratamento diferenciado, como traumatologia. Isso não significa que ele vá deixar de fazer cirurgias eletivas”, conclui.
Quando o HB realizava cirurgias não emergenciais, uma média de 12 eram agendadas por dia. Se o serviço for retomado, o diretor da DIR-10 acredita que o número de operações dessa natureza será mantido.