De acordo com os oftalmologistas, não existem estatísticas oficiais da doença no Brasil. Estudos internacionais mostram que o retinoblastoma acomete uma entre 15 mil e 30 mil crianças. Estima-se que ocorram cerca de 5 mil casos novos ao ano no mundo. No Brasil, são cerca de 150 diagnósticos anuais da doença.
O retinoblastoma é o tumor intraocular mais freqüente em crianças. Dentre todos os tipos de câncer, ele é o terceiro mais comum em crianças e ainda assim é considerado raro.
Segundo os médicos, cerca de 90% dos casos são diagnosticados até os quatro ou cinco anos de vida da criança. O aparecimento do retinoblastoma é muito raro após os sete anos de idade. “Eu só vi um caso da doença num rapaz com mais de 20 anos, nos Estados Unidos. Mas era uma recidiva de outro tumor tratado na infância”, salienta o oftalmologista André Hamada.
Os especialistas comentam que cerca de 40% dos casos correspondem à forma hereditária da doença - resultado de alterações genéticas. “Por isso, se houver um caso de retinoblastoma na família (avós, pais, irmãos, tios, primos) todas as crianças têm que fazer a avaliação de fundo de olho logo depois do nascimento”, orienta Hamada.
Esta avaliação deve ser feita nos primeiros dias de vida do bebê, porque alguns já nascem com o tumor. Em famílias onde há tendência genética, todas as crianças devem ser acompanhadas regularmente por um oftalmologista até os sete anos de idade, em média.
“Felizmente, hoje temos estudos adiantados e já conseguimos identificar o gene que estaria presente nesses tumores. Então, para pessoas que têm casos de retinoblastoma na família, nós orientamos que seja feito um aconselhamento genético”, destaca o oftalmologista Luiz Utyama.