Bairros

A Bauru que os moradores desconhecem

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Você conhece bem a cidade em que mora? O hábito de freqüentar sempre os mesmos bairros, fazer os mesmos percursos e procurar lazer nos mesmos locais faz com que muita gente ignore diversos pontos de Bauru.

Do Parque Vitória Régia aos bairros de periferia, os habitantes da cidade exploram Bauru de formas muito variadas. Pode-se até dizer que cada um deles conhece uma Bauru diferente.

Se o shopping center é lugar comum para alguns, para outros está longe disso. É o caso de Maria Cerve Henrique, 51 anos, que nunca havia entrado em um até a última terça-feira.

Ela é diarista e também revende cosméticos. No dia-a-dia, sai do Pousada da Esperança, onde mora, apenas para trabalhar em uma residência no Jardim América. “É difícil eu passar na cidade”, conta.

Maria não costuma sair para passear ou conhecer novos lugares. Ela alega que não sobra tempo e que não sente necessidade de sair de seu bairro. Quando tem tempo livre, prefere ficar em casa costurando. O resultado é que além do Centro, não conhece o Horto Florestal e o Bosque da Comunidade, por exemplo.

“Meu tempo é assim: da minha casa para a casa da minha mãe e da minha mãe para a minha casa”, diz Maria.

A convite do Jornal da Cidade, fez um passeio ao Centro e ao shopping center, na última terça-feira. “Achei maravilhoso porque eu nunca tinha ido lá. Adorei. Eu tinha muita curiosidade, mas nunca tinha tido a oportunidade. Agora vou fazer de tudo para sobrar um tempinho e de vez em quando dar uma voltinha”, diz.

Cartão postal

E será possível alguém morar em Bauru e não conhecer o Parque Vitória Régia? Sim. Eliana Souza Silva, 26 anos, é natural de Paulicéia (SP) e mora em Bauru desde meados de 2002.

Eliana é recém-casada e seu marido trabalha como serviços gerais na Prefeitura de Bauru. O casal mora no Pousada da Esperança - bairro do qual ela saiu poucas vezes desde que se mudou para a cidade.

A dona de casa foi uma vez ao Calçadão da Batista de Carvalho e reclama que não há nada de interessante para se fazer na Pousada da Esperança. De vez em quando, vai à igreja com o marido. “Eu quase não saio. Fico mais em casa”, revela.

Na última semana, a equipe de reportagem do JC levou Eliana para conhecer o Parque Vitória Régia, um dos cartões postais da cidade que até então não fazia parte do repertório da moradora do Pousada.

“Vou pedir para ele (o marido) me trazer de volta porque achei muito bonito aqui. Gostei desse lugar”, afirma.

Após percorrer os 12 quilômetros que separam sua casa do Centro, aproveitou para conhecer o shopping center e contou que tem vontade de ir ao cinema. “Gostei de tudo. Tem muita coisa bonita aqui.”

Deolinda Ferraz tem uma história semelhante. Há nove anos ela veio de Passo Fundo (MG) e instalou-se na Pousada da Esperança, onde passa grande parte de seu tempo. Sai apenas em caso de necessidade, como para fazer um pagamento ou receber o dinheiro da aposentadoria - em geral a cada dois meses. “Eu quase não saio”, reforça.

As necessidades cotidianas são supridas no próprio bairro. Quando vai a locais mais distantes, Deolinda prefere estar ao lado da filha porque tem medo de se perder. “A gente não é acostumada a andar então é ruim”, avalia.

A avenida Getúlio Vargas, uma das mais badaladas de Bauru, não significa muita coisa para Deolinda, que não a conhece. “Eu não sei nem onde fica”, diz.

Ela prefere conversar com vizinhos e carpir o quintal. “Fui criada no sítio e tenho mais vontade de ficar à vontade. Cuido das mandiocas, do meu netinho”, explica.

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