Bocaina - A Associação das Indústrias de Couro, Fabricantes de Artefatos e Afins do Município de Bocaina (Associcouros) informou na semana passada que o trabalho de retirada de todo o volume de sobras de couro acumulado nas empresas do setor filiadas à entidade deve estar sendo concluído até o final deste mês.
Desde o mês passado, o material começou a ser enviado, com autorização da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), para uma aterro industrial na cidade de Paulínia, com o qual a associação possui contrato. Segundo o presidente da Associcouros, Fauzer José Saffi, até o dia 17 de abril passado, cerca de 5 mil toneladas do produto já haviam sido retirados das cerca de 80 empresas filiadas à associação. A estimativa, até a semana passada, era de que existissem ainda mais de 2 mil toneladas do produto acumulado nas empresas.
Por enquanto, o trabalho que vem sendo realizado é para a retirada do material passivo - aquele que se encontrava armazenado há muito tempo nas dependências das empresas e em avançado estado de deterioração. O mau-cheiro provocado por esse material vinha gerando reclamações quase que diárias de moradores junto ao Ministério Público de Jaú.
“Pelas informações que nos foram passadas, o problema do odor gerado pelas sobras de couro foi bastante reduzido com o trabalho (de retirada do produto) que já foi realizado”, disse o gerente da Cetesb em Bauru, Rogério Chini.
O volume de sobras de couro encontrado nas empresas acabou superando todas as estimativas feitas pela diretoria da Associcouros antes do início do trabalho de retirada do material. No início de março, quando os primeiros carregamentos começaram a seguir para Paulínia, Saffi previa que o volume do produto acumulado em todas as empresas filiadas à entidade deveria ficar em torno de 900 toneladas. “Percorrendo as empresas e vendo a quantidade de material (que ainda falta ser retirada), a gente fica surpreso”, comentou na semana passada.
Cadri
Rogério Chini informou que agora, o trabalho da Cetesb, através do fiscal que atua no município, vem se concentrado prioritariamente sobre as empresas que ainda não providenciaram a retirada do Certificado de Aprovação de Destinação de Resíduos Industrias (Cadri).
Para realizar o transporte intermunicipal das sobras de couro as empresas necessitam desse documento, retirado junto à agência ambiental mediante a apresentação de laudos emitidos por laboratórios especializados sobre a natureza do produto a ser transportado. Os laudos são necessários para se definir qual a destinação que deve ser dada aos resíduos, evitando que os mesmos venham a causar comprometimento ao meio ambiente.
No caso das sobras de couro provenientes das indústrias de Bocaina, mesmo as daquelas que realizam o tingimento de peles, laudos emitidos por um laboratório de Campinas comprovaram tratar-se de resíduos de classe dois, o que acabou viabilizando o transporte dos mesmos para o aterro industrial nos moldes do existente em Paulínia.
Após a apresentação dos laudos pela Associcouros, no início de março, a Cetesb concordou em emitir um único Cadri, válido para todas as empresas filiadas à entidade, permitindo, assim, que o trabalho de retirada do produto pudesse ser agilizado.
De acordo com Chini, até a semana passada nenhuma das empresas não-filiadas à associação havia providenciado a retirada do documento. Daí o trabalho da fiscalização estar se concentrando sobre elas. “Não podemos obrigar essas empresas a enviarem seus resíduos para o aterro de Paulinía, como vem ocorrendo com o material da Associcouros. Mas vamos continuar exigindo uma solução urgente e adequada para o problema por parte dessa empresas”, explicou o gerente da agência ambiental, reconhecendo, no entanto, que a maioria delas já estaria providenciando maneiras mais adequadas para a armazenagem do produto.
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Reciclagem
A Associcouros vem orientando as suas empresas a armazenar em páletes (estrados de madeira) revestidos com material plástico todo o volume de sobras de couro produzido após a retirada do material passivo acumulado em suas dependências. A intenção é aproveitar esse produto para a reciclagem, em uma empresa que a associação pretende implantar com essa finalidade.
Chini disse que a maneira como esse material vem sendo armazenado também estará sendo alvo da fiscalização da Cetesb. “Não podemos permitir que se retorne ao estágio inicial do problema. Se o produto voltar a ser armazenado de maneira inadequada, vamos autuar as empresas responsáveis. É claro que não estaremos exigindo que, a cada dez quilos de material acumulado, se faça o transporte do mesmo até o aterro de Paulínia. Mas o acúmulo de grandes volumes do produto, causando odores e levando incômodo à população, isso não permitiremos mais que aconteça”, garantiu.