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A máscara cai


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O principal biombo por detrás do qual se esconde o poder real que vem dominando e infelicitando o mundo, senhor George W. Busch, acaba de anunciar, a bordo da formidável arma de ataque que é sempre um porta-aviões, o fim das operações em grande escala levadas a cabo no Iraque. De fato, a desproporção gigantesca dos meios de destruição existente entre aquele país do Médio Oriente e o principal braço armado da nação pluriestatal de que é biombo o orador a que nos estamos referindo, produziu a vitória de que, como um ventríloquo, acaba de jactar-se o biombo referido. Entretanto, as bombas e mísseis destróem instalações, residências, escolas, centros de abastecimento, estradas, pontes, vidas e mais vidas humanas, inclusive inocentes. Mas não destróem idéias e sentimentos - e estes, perigosamente, se estão tornando cada vez mais intensos e mais lúcidos, quanto à existência da nação pluriestatal a que nos estamos referindo; e não apenas no Iraque, ou na Palestina, como no mundo inteiro, o que representa pra ela um risco mortal. E ela sabe disso, razão pela qual tenta conjurá-lo por intermédio do ópio do povo consistente na deliberada confusão entre a verdadeira liberdade e a escravização do homem aos seus instintos menos nobres, da confusão entre liberdade e licenciosidade. Foi assim quando do desmatelamento da URSS, em cujas cidades, subitamente, as bancas de jornais começaram a cobrir-se de publicações eróticas, os cinemas e a TV a exibirem filmes eróticos e, em cada esquina a surgirem como cogumelos, traficantes de drogas. Em breve, o presidente “democrático” da Rússia passou a ser um alcoólatra descontrolado e servil.

Agora, no Iraque, ainda quentes as cinzas das ruínas produzidas pela “grande democracia do Norte”, o noticiário nos dá conta de que voltou a ser permitida a prostituição, a homossexualidade começa a ser promovida ao ser a sua prática livre, aporta como indício de democratização, e as televisões começam a incluir em sua programação maciça dose de filmes eróticos.

São os mísseis da segunda etapa das guerras “de libertação” levadas a cabo pela nação pluriestatal a que nos temos referido. Contra tais “mísseis” as armas são os sentimentos e as idéias que não podem ser destruídas pelas bombas, e a nova etapa da guerra de dominação será travada entre os que promovem a confusão entre liberdade e licenciosidade, de maneira a ensejar-lhes a aplicação maciça do ópio do povo, que o paralisa pelo cinismo e pelo vício, e os que combatem a funesta e letal confusão. Os adversários agora são os proxenetas e os propagadores e defensores do islam - sejam estes sunitas ou xiitas.

O resultado do novo confronto, que estará sendo travado em cenário em que as grandes batalhas terminaram, mas não terminou a reação, na clandestinidade, é incerto. Tanto mais quanto, no mundo inteiro, está caindo a máscara dos que, sempre e invariavelmente, se ocultaram por detrás de pretextos nobres para alcançarem objetivos vis, usando os biombos que sempre conseguiram corromper e acaudilhar. Agora, a verdade dos fatos está surgindo, e os povos da terra, na medida em que aquela se vá tornando mais clara e mais nítida, a irá mais e mais energicamente, repudiando. Arriscamo-nos, pois, a dizer que o fim do novo império está, inexoravelmente, chegando, e que, no momento, estamos atravessando a fase das dores do parto de uma nova civilização, mais justa e mais fraterna. É mera questão de tempo e quem viver, verá. (O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do JC )

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