Os alunos do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) acampados em uma das salas da universidade como forma de pressão pela construção de moradia estudantil não aceitaram a proposta da Reitoria e afirmam que vão continuar morando no local. Anteontem, a universidade anunciou que vai aumentar o número de bolsas destinadas aos estudantes carentes e colocará a discussão sobre a construção de moradias estudantis no Conselho Universitário (CO) - instância máxima da instituição.
Porém, os estudantes estão dispostos a manter a ocupação na sala 3 do câmpus. “Foi deliberado em assembléia que só vamos desocupar a sala quando os blocos de moradia estiverem prontos, mesmo que demore um ou dois anos”, afirma Marcelo Ubiali Ferracioli, aluno do 4.º ano de psicologia e membro do comando da ocupação.
Ele explica que a decisão de manter a ocupação até ver as moradias prontas foi tomada porque em anos anteriores as propostas de ajuda da Unesp não foram cumpridas. “Já vivemos experiências como essas, de aumento de bolsas, que acabaram não se efetivando. As bolsas são concedidas, mas depois podem ser cortadas”, frisa.
O presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), José Brás Barreto, conta que a Reitoria informou que vai ampliar o Programa de Assistência Estudantil (PAE), que beneficiará mais 185 alunos. Candidatos de todas as unidades da universidade podem ser contemplados.
O total de bolsas de aluguel também deve ser aumentado, mas ele não soube informar em quanto. “O mais importante é que a discussão sobre a moradia estudantil será retomada na próxima reunião do CO, prevista para junho. “Com essa sinalização esperamos que a ocupação seja revista. Até porque o GAC apóia a reivindicação dos estudantes e vai votar favoravelmente a ela”, ressalta.
Para que a proposta seja aprovada pelo CO, dois terços de seus membros devem apoiá-la. Atualmente, os estudantes não têm direito a voto. “Já vi pautar (a construção de moradias) no CO e retirar várias vezes. Há alguns anos, o presidente do GAC daquela época colocou o assunto em discussão, mas votou contra. Vamos continuar com a pressão política”, garante Marco Antonio dos Santos, aluno de arquitetura.
Na opinião dele, o aumento do número de bolsas dirigidas aos alunos carentes não passa do dever da Reitoria até porque os universitários são vítimas da atual política econômica. Santos ainda acrescenta que 43% dos estudantes da Unesp vieram de escolas públicas e que quase a totalidade dos 20% que abandonam a Unesp alegam dificuldades financeiras.
Cerca de 60 alunos, que se revezam em dois grupos para manter a ocupação 24 horas por dia, estão no local há mais de uma semana. Eles levaram colchões, fogão, cadeiras e outros móveis para a sala de aula. Eles utilizam os sanitários próximos à cantina e usam chuveiro dos banheiros do anfiteatro Guilhermão.
Marcelo conta que alguns dos estudantes já não têm mais casa. “Alguns estão de fato morando no câmpus porque não têm dinheiro para pagar o aluguel. A ocupação é uma estratégia de pressão”, frisa.