Muitos vaticinavam a última eleição nacional como um evento cujos resultados viessem acabar suas preocupações sobre os sérios problemas administrativos que assoberbavam o País, como inflação, violência e desemprego, com o que, finalmente, se pudesse encontrar para cada um a devida solução. Não perfilhávamos na expectativa, porquanto sabíamos que os temas, que tanta insônia vinham dando ao governo e à comunidade estavam realmente amontoados e desafiantes, desde longa data, muito antes de terem sido sopesados pelos candidatos do pleito em disputa. Coincidentemente, eleito e empossado o novo presidente e constituído todo o Ministério e seus assessores, assim como passados os arrepios inerentes aos resultados eleitorais, a Administração não parece disposta a esquecer as expectativas e está encaminhando ao Congresso Nacional as reformas sonhadas pelos eleitores, inicialmente a tributária e a previdenciária, porque indiferente ou sem receio dos obstáculos que, sem dúvida, vão ser colocados nas respectivas matérias. Contudo, desde logo, nota-se vasta repelência no pensamento de grande parte dos parlamentares federais, não só daqueles que já se colocaram na oposição ao atual situacionismo como de muitos dos próprios legisladores ligados ao poder. Por isso, acredita-se que não devem o chefe do Executivo e seus ministros considerarem já ganha a batalha que empreenderam e têm que marchar com firmeza no sentido de desanuviar a escuridão já formada em seu torno, uma vez que precisam ter como certa a rebelde oposição dos adversários que, de armas em punho, surgirão atrás dos muros enquanto não perceberem na cúpula diretiva sincero desejo de aliviar o sacrifício que há tanto penaliza em pulverizar o espírito de economia que, pensam de mãos postas, dizem conseguir aliviar a situação financeira do País, mas por certo consomem com mordomias ponderáveis amplas parcelas da receita nacional. Não podem os homens do governo ignorar que não é nada inteligente desenhar as pistas do “fome zero” em países que têm em seus ricos autódromos reprodução fácil de amplas parcelas de dólar, libra, pessetas, rublos e equivalentes. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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