Jerusalém... Manhã profundamente cinzenta porque o Rei Sol, encoberto por densas trevas, não apareceria na velha localidade... Ficaria apagado até à chegada da noite, possivelmente. E, Jesus, carregando no ombro sua pesada cruz, iniciava, então, dolorosa caminhada rumo ao Calvário. Cai, consecutivamente, três vezes! Mas se levanta e, ofegante, atinge finalmente o Gólgota. Pregam-no na sua cruz (mãos e pés) e é levantado bem no alto do Morro! Aí, na grande altura, divisa sua querida Mãe ao lado do discípulo que Ele tanto amava. E, soluçando, diz ao querido João: “Eis a tua Mãe!” E sucumbe, silenciosamente, entre os dois ladrões.
A expressão se irradiou através dos tempos e se revela exuberantemente oportuna agora, quando se comemora o Dia das Mães. Por isso, o que devem os pais dizer a seus descendentes, neste significativo ensejo, a não ser repetir Jesus, apontando a eles as suas queridas genitoras, muitas das quais descansam em suas sepulturas ou jazigos, onde continuarão eternamente mães, e muitas outras embelezam os lares, ricos ou pobres, com todo o seu amor, seu sorriso ou, talvez, apenas com sua presença amiga, porque doentes ou envelhecidas? Existindo, assim, por todo o tempo, onde quer que possam, as excelsas produtoras de existências humanas têm o direito de viver indefinidamente na lembrança e no respeito daqueles aos quais deram a luz, considerando que não pode nunca haver um ponto final nos belos poemas de carinho escritos nos corações de mães e filhos. “Nos momentos difíceis, que nunca faltam na existência de cada um, jamais estão os filhos totalmente sozinhos, pois têm, no mínimo, ao seu lado, a sua querida genitora” - destacou o Papa João Paulo II por ocasião de recente Jornada Mundial da Juventude, ao que outro emérito autor acrescentou afirmando que “o amor de mãe, antes de julgar, escuta, perdoa tantas vezes quantas necessárias, está sempre disposto a começar tudo de novo e nunca desistir mesmo quando tudo pareça perdido e sem solução, porque brota de um coração e vai com todo calor diretamente para outro coração a fim de ser repartido generosamente com os filhos”.
São assim todas as mães! Que o sejam igualmente todos os pais para que possam apontar também, carinhosamente, aos filhos que ganharam, o que Jesus disse: “Eis a tua Mãe!” É a nossa opinião, acrescida da nossa imperecível homenagem a todas as mamães! (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)