Preciso manifestar, de forma veemente, meu repúdio ao corte de três árvores (sibipirunas) ocorrido na quadra 8 da rua Manoel Bento Cruz, por onde passo todos os dias. Pela altura e porte das árvores, constata-se que elas existem desde antes do calçamento ter chegado àquela rua e, principalmente, muito antes do nascimento do animal que mandou que fossem cortadas. Em sociedades desenvolvidas, a idade, seja dos vegetais, seja dos animais, é sinônimo de respeito, enquanto que, no Brasil, é ultraje e desprezo.
O que mais frusta nesse “vandalismo oficial” é que as árvores estavam em lados que não possuem qualquer tipo de fiação e, tão pouco, estavam danificando a guia ou calçada. O “crime” delas é que faziam apenas sombra, e muita sombra, por sinal. Espero que não venha nenhum “aprendiz de botânico” dizer que as árvores estavam “comprometidas”, pois basta se olhar para os troncos serrados para se comprovar a saúde inabalável dos vegetais, que não mostravam qualquer sinal de envelhecimento natural ou danos por cupins.
Excetuando-se de qualquer causa lógica, presumo que tenham cortado as árvores por causa da “sujeira” causada pela queda das folhas. Entretanto, a árvore renova suas folhas para renovar sua capacidade de crescer e produzir. Mas, se esse é o argumento, deixo a sugestão para que passem a ceifar as mãos de quem joga lixo nas ruas e calçadas, pois estes renovam apenas seu desrespeito pela coletividade.
Não é de hoje que a Prefeitura corta árvores sob a alegação de que “estavam velhas”; deveriam outorgar-lhes o título de decanas ou centenárias e tratá-las com respeito por tudo que concedem à natureza humana, apesar da habitual bestialidade com que são tratadas. Mas, se até a velhice humana é tratada com o desleixo pelos órgãos públicos, como poderemos rejeitar a moto-serra? (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)