Cultura

'Revolta da Chibata' é tema de peça

Da Redação
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O Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves” traz hoje o espetáculo “João Cândido do Brasil: A Revolta da Chibata”, encenado pelo Grupo de Teatro Popular União e Olho Vivo (Tuov). O evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), por meio do Projeto Cena Aberta.

Amanhã, o grupo Tuov ministra o workshop “37 anos de Teatro Popular” no auditório “Helvécio Barros”, do Centro Cultural de Bauru. A atividade é gratuita e possui 40 vagas disponíveis.

Com texto e direção de César Vieira, a peça é resultado de dois anos de pesquisas, enfocando a rebelião dos marujos negros em 1910, no Rio de Janeiro. Jornais e revistas da época, além dos costumes, músicas e a situação sócio-política do período foram assuntos estudados.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da SMC, 20 atores encenam os momentos decisivos na organização e luta dos marujos negros liderados por João Cândido contra a repressão da chibata nos navios da Marinha. O enredo revela ainda um fato histórico importante, resgatando a criatividade, o companheirismo e o sonho de liberdade dos combatentes.

O Tuov é um dos grupos de teatro mais antigos do Brasil. Em quase quatro décadas, o grupo teatral já realizou mais de 3.500 apresentações, reunindo um público estimado em três milhões de pessoas.

Tendo como objetivo a troca de experiências culturais com as comunidades carentes de São Paulo, a principal característica do Tuov é se apresentar em bairros periféricos. O grupo recebeu diversos prêmios, entre eles o “Carlos Miranda”, da Secretaria Estadual da Cultura; “Em Cena Brasil”, do Ministério da Cultura e o prêmio “Teatro Cidadão”, da SMC.

Contexto histórico

Os atores do Tuov consultaram jornais e revistas da época e principalmente, as 44 publicações, entre elas o livro “A Revolta da Chibata”, de Edmar Morel, para reconstruir, de forma dramática, misturando ficção e realidade, a história do marujo nascido em Rio Pardo, no Rio Grande do Sul e entrou na Marinha aos 13 anos.

Apesar desse ingresso forçado, João Cândido apaixonou-se pela profissão. Em 1908, o governo brasileiro resolveu modernizar a Marinha e comprou da Inglaterra um dos mais modernos navios de guerra do mundo, o New Castle. Cândido acompanhou, por dois anos, a rotina dos estaleiros e as construções dos encouraçados e cruzadores que viriam ao Brasil.

No dia 22 de novembro de 1910, a Armada revolta-se depois que um marujo recebe mais de 200 chibatadas no convés, punição tão cruel que até os oficiais viraram o rosto. Então, disciplinado timoneiro Cândido, que jamais havia recebido uma chibatada, toma a liderança do movimento.

Sob ordens do Almirante Negro, os marujos manobraram os navios de guerra pela Baía de Guanabara e voltam os canhões para a cidade. No Senado, Rui Barbosa defendeu com êxito a justeza das reivindicações e a anistia foi cassada uma semana depois e os revoltosos cruelmente perseguidos e muitos mortos sob maus-tratos.

Cândido, depois de passar dias numa masmorra sem água ou comida - eram 18 marujos, mas só dois sobreviveram - foi internado como louco no Hospital da Praia Vermelha, ganhando a proteção do médico Juliano Moreira.

• Serviço

Espetáculo “João Cândido do Brasil: A Revolta da Chibata”, com o Grupo Tuov. Hoje, às 21h, no Teatro Municipal. Os ingressos custam R$ 2,00 e podem ser adquiridos na bilheteria do local. Workshop “37 Anos de Teatro Popular” amanhã, no Centro Cultural. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1213.

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