O Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, construído ao lado do Instituto Penal Agrícola (IPA), deve ser inaugurado no próximo dia 24 pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). O prédio custou R$ 8,2 milhões e tem capacidade para 768 presos provisórios (à espera de julgamento).
Com a inauguração do CDP, a Cadeia Pública de Bauru, que está superlotada e apresenta sérios problemas de estrutura, além de estar localizada na área urbana, o que é apontado como um problema de segurança, será desativada. Todos os presos provisórios do Cadeião serão removidos para a nova unidade prisional.
“A transferência começa logo após a inauguração do CDP”, conta Antonio Paulo Veronezi, coordenador das unidades prisionais da região Noroeste do Estado. Ontem à noite, o Cadeião abrigava 163 presos entre provisórios e já sentenciados.
O CDP também receberá detentos das nove cidades que integram a Delegacia Seccional de Bauru e que hoje estão em cadeias. Antônio Ângelo Ciocca, delegado seccional, espera que cerca de 300 detentos sejam removidos para o CDP. Atualmente, as cadeias da área da seccional abrigam cerca de 400 presos, mas 100 já estão cumprindo pena.
Com isso, a proposta do delegado é fechar todas as cadeias da região - exceto a de Avaí, que deve ser mantida para abrigar provisoriamente as pessoas presas à noite, em finais de semana e feriados, até que sejam removidas para o CDP. “Sugerimos manter a cadeia de Avaí porque, entre as mais próximas, é a que tem melhor estrutura”, diz Ciocca.
Mas Veronezi afirma que, a princípio, apenas a cadeia de Bauru será desativada. “Vamos transferir os presos provisórios das cadeias da região. Mas por enquanto apenas a de Bauru será fechada. As demais continuam funcionando porque temos déficit de vagas no sistema penitenciário”, frisa.
Ele garante que o CDP está pronto para começar a funcionar, apesar de faltar alguns detalhes de finalização da obra. “Falta apenas um arremate aqui, outro ali. Mas o prédio está em condições de receber presos. Estamos com todos os agentes penitenciários de escolta e seguranças à espera dos presos”, completa.
O deputado federal Pedro Tobias (PSDB) conta que Alckmin aproveitará a vinda a Bauru para “Fórum São Paulo Governo Presente”, no dia 23. No dia seguinte, o governador vai inaugurar oficialmente o Hospital Estadual de Bauru, que já está funcionando, e o CDP.
Tobias acredita que o prédio da cadeia não terá outra finalidade após a remoção dos presos. “O governador me perguntou e eu disse que depois da saída dos presos é preciso mandar um engenheiro lá para avaliar. Mas acho que o prédio não servirá para mais nada. Só o terreno será aproveitado”, diz.
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Prédio é dividido em raios isolados
O prédio do Centro de Detenção Provisória (CDP) é semelhante ao das penitenciárias 1 e 2 de Bauru, segundo Antonio Paulo Veronezi, coordenador das unidades prisionais da região Noroeste do Estado. A construção é dividida em oito raios, separados uns dos outros, com oito celas cada um.
Cada cela, segundo Veronezi, tem capacidade para 12 presos e dispõe de um banheiro com dois vasos sanitários. “A capacidade ideal do CDP é de 768 presos porque são 768 camas”, frisa. Todas as celas são iguais, mas os presos com ensino superior e os acusados de crimes sexuais serão colocados em um pavilhão especial, isolados dos demais.
O preso com ensino superior poderá ocupar sozinho a cela. Por haver a possibilidade de isolamento dentro dos raios, ele diz que o risco de brigas entre presos inimigos não chega a preocupar. Apesar disso, o delegado Roberval Fabbro, diretor da Cadeia Pública de Bauru, diz que os detentos estão com medo de encontrar inimigos ao serem transferidos para o CDP.
As portas das celas dão para o pátio, espaço para o banho de sol, realização de atividades esportivas e recebimento das visitas. De acordo com Veronezi, caberá ao diretor do presídio, Plínio Martins Moreira, definir os dias e horários de banho de sol com base no comportamento dos presos. “A freqüência de saída para o pátio vai depender da população carcerária. Só após a inauguração vamos ver a melhor forma de funcionamento”, afirma.
A segurança do CDP, explica Veronezi, será feita por agentes de segurança e vigilantes armados, câmeras de vídeo instaladas no pátio e galerias. Por questões de segurança, Veronezi não revelou quantos funcionários vão trabalhar no CDP. O prédio ainda conta com dispositivos que disparam jatos de água em caso de incêndio.